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Acre responde por apenas 0,1% da rede nacional de eletropostos

Relatório revela o isolamento do Acre na infraestrutura para veículos elétricos, concentrando o menor índice do país.
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eletroposto
Foto: Internet

A transição energética sobre quatro rodas ainda é uma realidade distante para a população do Acre. Dados setoriais divulgados nesta sexta-feira (22 de maio de 2026) revelam que o estado responde por apenas 0,1% da rede nacional de eletropostos (estações de recarga para veículos elétricos e híbridos). O índice coloca o Acre na lanterna do país no quesito infraestrutura de abastecimento limpo, evidenciando um abismo tecnológico em relação ao Centro-Sul do Brasil.


O Paradoxo da Sustentabilidade e o Custo de Aquisição

A escassez de pontos de recarga rápida — concentrados quase que exclusivamente em shoppings e postos conceituais da capital, Rio Branco — cria o chamado “vazio de abastecimento” no interior. Motoristas que arriscam adquirir modelos eletrificados enfrentam a impossibilidade de viajar por rodovias como a BR-364 ou a BR-317 sem o medo de pane por falta de energia. Empresários do setor automotivo local justificam o baixo investimento pela lentidão na adesão da frota, travada pelos preços elevados dos carros e pela ausência de incentivos fiscais estaduais.

Indicador de Infraestrutura Participação do Acre (2026) Desafio Imediato
Rede Nacional de Eletropostos 0,1% do total Falta de pontos de recarga rápida nas rodovias.
Distribuição Geográfica Centralizada na Capital Cidades do interior sem nenhum ponto público.
Frota Local Incipiente Dependência de combustíveis fósseis tradicionais.

Esse atraso técnico em eletropostos gera um forte paradoxo com outros indicadores. Recentemente, o Acre foi celebrado no cenário nacional por figurar no Top 5 em sustentabilidade ambiental e no Top 10 em evolução de capital humano. No entanto, o apagão de infraestrutura urbana se repete em diferentes áreas: nesta mesma semana, o Confea apontou o Acre como o pior estado do Brasil em saneamento básico. A falta de tomadas para a nova frota nacional mostra que o avanço sustentável do estado ainda se restringe à conservação florestal, sem conseguir se traduzir em modernização tecnológica para o dia a dia urbano.

O cenário ganha contornos irônicos diante dos movimentos federais. Enquanto o governo de Brasília acaba de lançar um programa de R$ 30 bilhões em crédito para motoristas de aplicativos e taxistas financiarem carros novos — incluindo bônus para veículos híbridos e elétricos —, o trabalhador acreano se vê obrigado a continuar queimando gasolina e diesel caros. Com a renda média local pressionada e o custo dos alimentos essenciais (arroz, feijão e tomate) em alta nas prateleiras de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, investir em transição energética vira um luxo restrito a pouquíssimos bolsos.

Link de Fonte: ac24horas

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