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Bombardeios russos na Ucrânia matam 4, atingem maternidade em Odessa e porto estratégico

Ataques aéreos russos na Ucrânia mataram quatro pessoas e danificaram uma maternidade em Odessa e um porto. Rússia diz ter interceptado 155 drones ucranianos.
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invasão Rússia
Stringer/Anadolu Agency via Getty Images

Novos bombardeios russos na Ucrânia durante a noite deste sábado (28/3) resultaram na morte de pelo menos quatro pessoas e causaram danos significativos a infraestruturas civis, incluindo uma maternidade na cidade portuária de Odessa e instalações portuárias na mesma região. Os ataques ocorrem em um momento de intensificação das hostilidades, com a Rússia lançando uma das maiores levas de drones contra território ucraniano das últimas semanas, enquanto Moscou também reporta ataques com drones ucranianos em seu território.

De acordo com autoridades ucranianas, a Rússia lançou 273 drones contra alvos no país ao longo da noite, dos quais 252 foram abatidos pelas defesas aéreas. No entanto, os projéteis que conseguiram atingir seus alvos causaram um rastro de destruição. Em Odessa, no sul do país, duas pessoas morreram e pelo menos 13 ficaram feridas, segundo o comandante militar da cidade, Sergii Lisak. Um dos ataques atingiu diretamente o teto de uma maternidade, forçando a evacuação de pacientes e funcionários. Imagens divulgadas pelos serviços de emergência mostram janelas estilhaçadas, paredes danificadas e equipes de resgate trabalhando entre os escombros do prédio.

“Não havia nenhum alvo militar. Foi puro terror contra a vida civil comum”, afirmou o presidente ucraniano Volodimir Zelensky, em publicação nas redes sociais, ao comentar os ataques em Odessa. A fala do mandatário reforça uma narrativa recorrente da Ucrânia de que a Rússia deliberadamente ataca infraestrutura civil como estratégia de guerra, o que é negado por Moscou. A autoridade portuária estatal da Ucrânia também confirmou que um porto na região de Odessa sofreu danos durante os bombardeios, afetando a infraestrutura logística fundamental para a economia e para os corredores humanitários do país.

Ataques se espalham por múltiplas regiões ucranianas

Além de Odessa, outras regiões ucranianas foram alvo dos bombardeios russos. Em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente Zelensky, no norte do país, um homem morreu em um ataque que atingiu uma instalação industrial. O comandante da administração regional de Dnipro, Oleksandr Ganzha, informou que o local foi tomado por incêndios de grandes proporções após o impacto. Na região central de Poltava, outra pessoa perdeu a vida em um ataque com drones que danificou um prédio residencial e instalações industriais, segundo as autoridades regionais.

Os ataques noturnos representam uma intensificação do padrão de bombardeios russos que, desde o início da invasão em fevereiro de 2022, têm como alvo frequente a infraestrutura energética e logística ucraniana. Analistas militares apontam que a estratégia russa busca, com esses ataques constantes, esgotar a capacidade de resistência ucraniana e pressionar o sistema de defesa aérea do país, que depende de munições fornecidas por aliados ocidentais.

“A frequência e a escala dos ataques com drones são impressionantes. A Rússia tem produzido esses artefatos em massa e os utiliza não apenas para causar danos, mas também para saturar as defesas ucranianas, obrigando Kyiv a gastar munições caras de interceptação”, explica o especialista em conflitos contemporâneos Roberto Azevedo, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A versão russa e os ataques recíprocos

Em sua comunicação oficial, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter interceptado 155 drones ucranianos que teriam sido lançados contra seu território. Em um dos incidentes, autoridades russas denunciaram que uma criança morreu em um ataque com drone na região de Yaroslavl, a cerca de 250 quilômetros a nordeste de Moscou. A informação, no entanto, não pôde ser verificada de forma independente pela imprensa internacional, e a Ucrânia raramente comenta diretamente ataques realizados em território russo, embora já tenha declarado que considera alvos militares e de infraestrutura energética como legítimos no contexto da guerra defensiva.

O Ministério da Defesa russo também anunciou neste sábado que suas forças assumiram o controle da cidade de Brusivka, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia. A informação, divulgada pela agência de notícias estatal RIA, também não pôde ser confirmada por fontes independentes. Se confirmado, o avanço representa mais um ganho territorial russo em uma região que tem sido palco dos combates mais intensos e sanguinários da guerra.

Reação de Zelensky e o impasse diplomático

O presidente ucraniano utilizou os ataques para reforçar seu apelo à comunidade internacional por maior apoio militar e para criticar qualquer movimento que alivie a pressão sobre Moscou. “Os ataques demonstram que a Rússia não tem a intenção de acabar com a guerra. Por isso, qualquer alívio da pressão sobre Moscou é perigoso”, afirmou Zelensky, em uma referência velada aos debates em países ocidentais sobre a redução do ritmo de envio de armamentos e às divisões políticas que ameaçam a continuidade da ajuda à Ucrânia.

O novo episódio de violência ocorre em um momento de crescente estagnação no campo de batalha, com as forças ucranianas enfrentando dificuldades para conter o avanço russo no leste e o governo Kyiv cobrando de seus aliados a liberação de mais sistemas de defesa aérea e munições de longo alcance. As negociações para um cessar-fogo seguem paralisadas, com as duas partes mantendo posições irreconciliáveis sobre as condições para qualquer tipo de acordo.

Desde o início da invasão, as Nações Unidas documentam milhares de vítimas civis em ambos os lados, além de danos massivos à infraestrutura ucraniana. A guerra, que já se estende por mais de três anos, transformou cidades em escombros, deslocou milhões de pessoas e reconfigurou a geopolítica global, com reflexos profundos nas relações entre Rússia e Ocidente. Ataques como os desta madrugada reforçam a percepção de que, apesar do desgaste militar de ambos os lados, não há, no curto prazo, perspectivas concretas de uma desescalada do conflito.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

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