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Lula quer cooperação com Trump para prender “magnatas da corrupção” que moram no exterior

Em coletiva na Índia, presidente brasileiro afirmou que levará Polícia Federal, Ministério da Justiça e Receita para reunião com americano.
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Foto: @ricardostuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro, ao final de sua viagem à Índia neste domingo (22), que um dos principais objetivos de seu aguardado encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em março, é firmar uma parceria de combate ao crime organizado que atinge os dois países. Em tom direto, Lula afirmou que quer a cooperação americana para prender “magnatas da corrupção” brasileiros que vivem foragidos nos EUA. A declaração de Lula coloca o tema no centro da agenda bilateral.

Uma Força-Tarefa Bilateral

Durante a coletiva de imprensa, Lula detalhou sua proposta para o encontro com Trump. A ideia é criar uma espécie de força-tarefa de alto nível, reunindo as principais instituições de combate ao crime de ambos os países. “Por isso que vou levar [para a reunião] minha Polícia Federal, ele manda o pessoal da CIA, do FBI, que ele quiser para juntar. Vou levar meu ministro da Justiça, ele coloca o Departamento de Justiça deles. Vou levar meu Ministério Público, ele que leve o dele. Vou levar minha Receita, ele que leva a dele, para a gente colocar um fim nisso”, afirmou o presidente.

Lula relembrou a conversa que teve com Trump em dezembro de 2025, quando o tema já havia sido abordado. “Eu disse ao presidente Trump que estamos dispostos a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, no tráfico de armas, na lavagem de dinheiro. Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar”, declarou. A afirmação de Lula reflete a preocupação com o alto número de investigados e condenados que se refugiam em solo americano.

O Alvo: Foragidos em Condomínios de Luxo

O presidente fez questão de diferenciar esses alvos da criminalidade comum. “Esses magnatas não moram na favela, não moram no terreiro, eles moram em cobertura, moram no bairro mais chique do Brasil e no bairro mais chique dos Estados Unidos”, afirmou, ressaltando a disparidade social e a necessidade de cooperação para alcançá-los.

Como exemplo concreto, Lula citou a Operação Carbono Oculto, que resultou no bloqueio de mais de 250 milhões de litros de gasolina e teve como um dos alvos o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, que reside em Miami. “Nós bloqueamos 250 milhões de litros de gasolina em cinco navios, entregamos para Petrobras, essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos”, desafiou Lula.

A disposição de Lula sinaliza uma guinada pragmática na relação bilateral, colocando a segurança e a justiça como pilares de uma parceria que, em outros temas, como comércio e meio ambiente, tem sido marcada por divergências. Resta saber se o governo Trump aceitará o convite para essa força-tarefa e se os acordos de extradição e troca de informações serão de fato agilizados.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

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