A votação do parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1 foi oficialmente adiada nesta quarta-feira (20 de maio de 2026). O adiamento ocorreu após intensas articulações de bancadas ligadas ao setor produtivo, que agora pressionam pela inclusão de uma regra de transição de 10 anos para que as empresas, especialmente as de pequeno porte, consigam se adaptar à nova realidade de carga horária sem demissões em massa.
O Debate sobre a Redução Gradual
A proposta original visa reduzir o limite constitucional de 44 horas semanais, eliminando a escala onde o trabalhador folga apenas um dia após seis de serviço. No entanto, o novo parecer em discussão sugere um escalonamento: a redução ocorreria de forma progressiva ao longo de uma década, começando pelos setores com maior rotatividade. Entidades patronais argumentam que uma mudança abrupta elevaria os custos operacionais em até 15%, impactando diretamente os preços ao consumidor final.
Para o Acre, este debate é de extrema relevância. O estado, que recentemente entrou no Top 10 nacional em evolução de capital humano, possui uma economia fortemente dependente do setor de serviços e do comércio (que cresceu 9,9% este ano). Uma mudança na escala 6×1 afetaria diretamente milhares de trabalhadores de Rio Branco e do interior que operam em regime de varejo. Por outro lado, especialistas lembram que o Acre possui uma das menores rendas médias da região, e a redução da jornada poderia, em tese, estimular a abertura de novos postos de trabalho para cobrir as folgas, embora o risco de aumento nos preços de serviços básicos — que já sofrem com o reajuste de tarifas como a de água — seja real.
Link de Fonte: Agência Brasil







