Defesa acionou a Justiça após conta anônima favorável ao candidato ser identificada e derrubada; nova ação reúne páginas apócrifas e 47 contas com mensagens repetidas
A campanha de Mailza ingressou com uma nova ação na Justiça Eleitoral para investigar indícios de uma milícia digital voltada a atacar a candidata e beneficiar Alan Rick na disputa pelo Governo do Acre. A representação nº 0601041-09.2026.6.01.0000 aponta a atuação de perfis anônimos, páginas disfarçadas de veículos de notícias e dezenas de contas suspeitas que repetem mensagens semelhantes contra Mailza.
A iniciativa foi tomada depois que outra conta favorável a Alan Rick foi retirada do ar no curso de uma investigação eleitoral. O perfil @noticiasrbac, posteriormente rebatizado como @eusou10manim, apresentava-se como página informativa, mas publicava conteúdos de promoção ao candidato e ataques contra Mailza sem identificar quem comandava a conta.
Naquela apuração, registrada no processo nº 0600634-03.2026.6.01.0000, dados fornecidos pela Meta e pela operadora Claro apontaram a enfermeira Priscila Cordeiro Lima como responsável pela conexão utilizada na administração do perfil. Alan Rick, que aparece em diversas fotos com Priscila, foi comunicado sobre a propaganda irregular em 22 de agosto, mas, segundo os autos, não respondeu à notificação nem repudiou publicamente as publicações feitas em seu benefício.
Diante do padrão já identificado, a defesa de Mailza pediu que a Justiça investigue agora os perfis @acrenaveia e @acreempauta2026. As duas contas, conforme a ação, não apresentavam responsáveis identificados e eram utilizadas sistematicamente para divulgar acusações, montagens depreciativas e ataques à vida pessoal e familiar da candidata. O segundo perfil simulava um portal de notícias e havia sido criado em julho, às vésperas do início da campanha eleitoral.
O histórico do novo processo registra que três advogados de Alan Rick acessaram a ação antes do desaparecimento das contas denunciadas. A proximidade temporal chama a atenção, mas não comprova que os advogados, Alan Rick ou integrantes de sua campanha administrassem os perfis ou tenham determinado as alterações e o desaparecimento das páginas.
Fato é que, depois dessas consultas, segundo informações levadas ao processo, o perfil @acreempauta2026 mudou o nome para @acredofuturo, alterou sua identidade visual e foi fechado ao público. Já a conta @acrenaveia deixou de ser localizada na plataforma.
A representação também foi ampliada após o surgimento de uma gravação com comentários feitos por 47 contas distintas em uma mesma publicação. A defesa identificou frases praticamente iguais, manifestações em defesa de Alan Rick e ataques concentrados contra Mailza. Algumas das contas não tinham publicações nem seguidores, utilizavam nomes de usuário aleatórios e apareciam identificadas como perfis recém-criados.
Entre as mensagens repetidas estão frases como “Alan Rick nunca faria um negócio desse”, “acabou com o Acre”, “apoiadora de agressor” e acusações envolvendo suposto uso de dinheiro público. Para a defesa, a repetição das fórmulas por contas com características semelhantes indica possível atuação coordenada. A hipótese, contudo, depende da análise dos dados técnicos mantidos pelo Instagram.
A ação pede que a Meta preserve imediatamente os registros, identifique os responsáveis e forneça números de telefone, endereços de IP, alterações de nomes e eventuais vínculos administrativos entre as contas. A campanha também quer que essas informações sejam comparadas com os dados obtidos na investigação que levou à identificação da responsável pelo @noticiasrbac.
Mesmo com o desaparecimento dos perfis, a campanha de Mailza informou que atuará para garantir o prosseguimento das apurações eleitorais e criminais. O objetivo é identificar quem criou e administrou as contas, descobrir se houve organização ou financiamento por terceiros e esclarecer eventuais vínculos políticos, sem atribuir antecipadamente a autoria dos ataques a Alan Rick ou à sua equipe.







