Acre Atual

acreana é presa pela PRF e caso aparece na HBO

Compartilhar
“Só tinha água para meus filhos”: acreana é presa pela PRF e caso aparece na HBO

Mulher havia deixado a capital acreana em um ônibus que seguia pela BR-364. — Foto: Reprodução

“Eu olhei para um lado, olhei para o outro e não tinha nada para os meus filhos comerem, só água.” Foi com essa justificativa que uma mulher natural de Rio Branco explicou, durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF), por que teria aceitado transportar drogas de ônibus até Goiânia. O caso, ocorrido em Mato Grosso, foi registrado pelas câmeras do programa “Operação Fronteira”, exibido pela HBO e pelo Discovery.

A mulher havia deixado a capital acreana em um ônibus que seguia pela BR-364, uma das principais rotas terrestres entre o Acre e outras regiões do país. A fiscalização ocorreu na área de atuação da unidade operacional da PRF em Rondonópolis (MT).

Logo no início da abordagem, os policiais perceberam que a passageira demonstrava nervosismo.

“Uma pessoa demonstrando um certo nervosismo com a presença da equipe policial no interior do ônibus”, relatou um dos agentes, durante o episódio.

Respostas levantaram suspeitas

Ao ser questionada sobre a origem e o destino da viagem, a mulher respondeu que vinha do Acre e que iria para Goiânia.

“Tu tá vindo de onde, moça?”, perguntou o policial.

“Do Acre”, respondeu.

“E tu vai pra onde aí?”

“Goiânia.”

Inicialmente, ela afirmou que pretendia passar um tempo com a irmã e procurar trabalho na cidade. As respostas, entretanto, despertaram a desconfiança da equipe.

“Tu tá indo para Goiânia a passeio ou trabalho?”, perguntou o agente.

“Eu vou… passar uns tempos com…”

“Seu irmão?”

“Minha irmã.”

Em seguida, ela contou que fazia “uns bicos” em Rio Branco e que trabalhava com pintura.

Segundo um dos policiais, porém, a versão apresentada não parecia consistente.

“Ela contava uma história que não era tão convincente. Parecia que nem ela mesma acreditava na própria história. Então isso chamou muita atenção da gente”, relatou o agente.

Pasta base estava em mochila

Diante da suspeita, os policiais passaram a verificar os pertences da passageira.

“Deixa eu dar uma olhada nesse travesseiro aqui, moça. Essa mochilinha que tem nas suas costas aí… O que é que tem aqui dentro?”, questionou um dos agentes.

Dentro da mochila, a equipe encontrou um pacote enrolado. O material apresentava odor característico de entorpecente.

“Cheiro de pasta. Entorpecente, né, moça?”, disse o policial.

Segundo o relato exibido no programa, após a análise, os agentes constataram que se tratava de pasta base de cocaína.

“Ela parecia não querer mostrar o conteúdo dessa mochila. Quando a gente abriu, realmente tinha lá um pacotinho, todo enrolado, que depois a gente constatou que seria pasta base de cocaína”, explicou outro policial.

A descoberta mudou o rumo da abordagem.

“Então tu não tá indo passar um tempo, tu tá indo levar isso aqui, né?”, questionou o agente.

A mulher então afirmou que havia recebido a droga no Acre.

“Em Rio Branco mesmo? Alguém pediu pra você levar lá e ia te dar uma grana? Quanto você ia ganhar por isso aqui?”, perguntou o policial.

“Dois”, respondeu a passageira.

“R$ 2.000?”, questionou.

Ela confirmou.

Mais droga estava escondida no corpo

A fiscalização, entretanto, não terminou com a descoberta da mochila. Os policiais suspeitaram que a mulher pudesse estar transportando mais entorpecentes junto ao corpo.

Uma policial identificou um volume sob a roupa e explicou que a passageira utilizava uma cinta de compressão, usada para manter o material pressionado contra o corpo.

“Então aqui tá verificando o volume no corpo dela… E a cinta, aquela cinta pra compressão, que adere melhor ao corpo e pressiona mais o entorpecente junto ao corpo dela”, explicou a agente.

A policial perguntou quem havia colocado a cinta e a droga.

“Quem que amarrou pra você?”

“Eu mesma.”

“E quem que colocou no seu corpo?”

“Eu.”

“Tudo foi você? Ninguém te ajudou?”

“Tudo.”

A equipe então realizou uma revista para identificar o material escondido.

Mulher fala sobre os filhos

Durante o episódio, a mulher também relatou aos policiais a situação financeira que, segundo ela, teria motivado a decisão de transportar o entorpecente.

Em um dos momentos mais marcantes da reportagem, ela afirmou que precisava do dinheiro para alimentar os filhos.

“Eu estava precisando de um dinheiro, porque eu tenho dois filhos. Moro só eu e eles, né? Dois bebês, um de 2 e outro de 3. Eu olhei para um lado, olhei para o outro e não tinha nada para os meus filhos comerem, só água.”

Ainda segundo o relato apresentado no programa, a mulher afirmou que aquela teria sido a primeira vez que aceitou transportar drogas.

“Não vale a pena. Essa é a minha primeira vez que eu faço isso. Mas foi para eu ver meus filhos bem.”

Abordagem virou episódio de programa

O flagrante acabou sendo registrado pelas câmeras do “Operação Fronteira”, série que acompanha abordagens e operações de agentes de segurança em diferentes pontos do país. O caso da passageira que havia saído de Rio Branco foi apresentado ao público durante o programa.

Durante a exibição, os policiais também explicaram que o transporte de entorpecentes junto ao corpo ou em bagagens de passageiros de ônibus é uma prática encontrada em fiscalizações realizadas nas rodovias.

“O transporte de entorpecente junto ao corpo, em mochila que a pessoa traz consigo no ônibus, é bastante comum”, explicou um dos agentes.

A ocorrência chamou atenção pela rota utilizada: a viagem havia começado em Rio Branco, no Acre, e tinha Goiânia, em Goiás, como destino, passando por Mato Grosso pela BR-364.

Após a localização da droga, a mulher foi presa e encaminhada às autoridades competentes para os procedimentos legais.

Rolar para cima