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Como a guerra no Irã afeta o agronegócio do Brasil

O conflito no Oriente Médio, que já dura 14 dias, começa a gerar impactos significativos no agronegócio brasileiro. A principal preocupação é com os fertilizantes, já que cerca de 41% da ureia importada pelo Brasil passa pelo Estreito de Ormuz, agora bloqueado. O preço do insumo disparou 37% na última semana. Setores como o de carne de frango, que exporta 25% para a região, também estão em alerta, enquanto a soja pode ganhar novos mercados. A alta do diesel e da gasolina já é sentida nos postos.
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Plantação Agro
Imagem: Internet

O conflito no Oriente Médio, que completa 14 dias nesta sexta-feira (13), já começa a produzir reflexos preocupantes em um dos pilares da economia brasileira: o agronegócio. Após o choque no preço do petróleo, que fez o barril se aproximar dos US$ 100, a nova dor de cabeça para o setor produtivo nacional vem dos fertilizantes, especialmente a ureia, cujo fornecimento está gravemente ameaçado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

A dependência dos fertilizantes

O Brasil importa cerca de 85% de todos os fertilizantes que consome, e a ureia, o insumo mais utilizado, é particularmente vulnerável. Cerca de 41% da ureia importada pelo país em 2025 teve como rota o Estreito de Ormuz, por onde também passa 20% do gás natural liquefeito (GNL) mundial, essencial para a produção de nitrogenados. Com o bloqueio da passagem e ataques a centros de produção no Catar, o preço da ureia já disparou 37% no mercado internacional, saltando de US$ 485 para US$ 665 a tonelada no Egito, referência para o setor.

Impactos por setor

Para os produtores brasileiros, o impacto imediato pode ser menor, já que a compra de insumos para a safrinha de milho e outras culturas está praticamente finalizada. A preocupação se volta para o planejamento da safra 2026/2027. Culturas como trigo e cevada, que já enfrentam rentabilidade negativa, e o arroz e feijão, com demanda em queda, podem ser os mais afetados. No setor de proteína animal, o alerta é ainda maior: quase 25% das exportações brasileiras de carne de frango em 2025 tiveram como destino o Oriente Médio, e novos embarques podem ser suspensos, forçando uma readequação do mercado interno. Por outro lado, a soja pode se beneficiar, com o redirecionamento de compradores para o Brasil, que já concentra 61% da demanda mundial pelo grão neste período.

Combustíveis e logística

Além dos fertilizantes e das exportações, o setor já sente no bolso o aumento do custo logístico. Em São Paulo, o preço do diesel acumulou alta de 8,4% na última semana, e o da gasolina, 11%, impactando diretamente o frete para o escoamento da safra e reduzindo a margem de lucro dos produtores. Especialistas consultados avaliam que o nível de incerteza é elevado e que a falta de previsibilidade geopolítica torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar, exigindo atenção redobrada dos agricultores e do governo.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

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