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Brasileira diz que Irã está unido e quer vingança contra Israel e EUA

Uma estudante brasileira de 33 anos, radicada na cidade sagrada de Qom, no Irã, afirmou à CNN Brasil que a população iraniana está mais unida do que nunca após os ataques de Israel e EUA.
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Bandeiras iranianas em dia de ataque dos EUA ao Irã • Reuters

Enquanto o mundo acompanha com apreensão os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, relatos de dentro do Irã pintam um quadro de união nacional e determinação. Uma estudante brasileira de 33 anos, que vive na cidade sagrada de Qom e pediu para ser identificada apenas como “Fátima” por motivos de segurança, afirmou à CNN Brasil que a população iraniana está mais coesa do que nunca em apoio ao regime e ansiosa por vingança contra os Estados Unidos e Israel.

União e sentimento de vingança

Segundo Fátima, que é muçulmana e possui dupla cidadania, os ataques coordenados que mataram o líder supremo aiatolá Ali Khamenei no primeiro dia da guerra, além de outras lideranças e civis, tiveram um efeito contrário ao esperado. “Eu nunca vi o povo tão unido como agora. Mas eles querem vingança pelo sangue do nosso líder martirizado”, disse. A popularidade do regime teria aumentado justamente em reação às investidas que atingiram escolas e hospitais. A brasileira descreve um cenário onde a população ocupa as ruas, inclusive de madrugada, para demonstrar apoio ao governo e ao novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá morto. A foto de perfil de Fátima em aplicativos de conversa é uma montagem com os três líderes supremos do país e a inscrição “nosso grito é alto”, em persa.

Fé inabalável e vida cotidiana

A estudante descreve uma fé inabalável como a força motriz por trás da resistência iraniana. “O povo iraniano tem muita fé. E essa fé tem uma força tão extrema que eles não temem, tipo, perder a guerra. Não existe essa possibilidade para eles. É ganhar ou é ganhar, sabe?”, afirmou. Para ela, os iranianos lutam com o propósito de “livrar o Oriente Médio, e principalmente a questão Palestina, das mãos dos Estados Unidos e de Israel”. Apesar da guerra, Fátima relata que a vida em Qom, a segunda cidade mais sagrada para os xiitas, segue uma rotina surpreendentemente normal. “A situação aqui na cidade de Qom não está caótica, nem nada disso. Eu acabei de voltar da rua e estava tudo normal. Fui fazer compras no mercado, tudo normal. Os mercados estão cheios, não estão com as prateleiras vazias. Os postos de gasolina também estão operando normalmente”, disse, embora a cidade tenha sofrido pelo menos um grande ataque contra a Assembleia dos Peritos.

Raiva de críticas externas

Fátima também expressou sua indignação com a forma como o líder morto é retratado no Ocidente. “Eu sinto uma raiva muito grande de pessoas no Brasil falando que ‘o pior ditador de todos os tempos’ foi morto. Se ele era tão ditador assim, por que o povo dele ama ele tanto assim? Então, não tem lógica, não tem cabimento um negócio desse”, concluiu. Seu relato oferece uma visão rara e pessoal do sentimento que permeia a população iraniana em meio a um dos momentos mais críticos da história recente do país.

Fonte: CNN Brasil

Redigido por Acre Atual

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