O som do samba produzido no Acre está ecoando em todo o Brasil. A cantora acreana Camile Castro vive um momento de projeção nacional com o sucesso de seu projeto audiovisual “O Samba da Cá”. Gravado de forma intimista e despretensiosa em um boteco tradicional de Rio Branco, o trabalho já ultrapassou a marca de 138 mil visualizações no YouTube e conquistou um lugar na prestigiada lista de lançamentos da Apple Music, chamando a atenção de ouvintes e críticos de todo o país.
A essência do samba raiz em um boteco
Diferente das grandes produções com palcos gigantes e iluminação elaborada, “O Samba da Cá” aposta na simplicidade e na autenticidade. O projeto foi gravado no Papudas, em Rio Branco, e a proposta foi justamente preservar a atmosfera original do ambiente. “A gente tentou ao máximo passar para o público a simplicidade do boteco. Foi feito ali no Papudas e a gente não mexeu em nada da decoração. Do jeito que a gente chegou, a gente gravou”, explica Camile Castro. Os músicos se reúnem em roda, reproduzindo a tradição das rodas de samba, enquanto a artista, de forma independente, idealizou e conduziu todo o processo, desde a concepção até a escolha de um repertório cuidadosamente selecionado para reforçar a identidade do “samba raiz”.
Sucesso além das expectativas
O alcance do projeto superou em muito as expectativas iniciais da cantora. “Esse projeto foi uma idealização que eu nunca imaginei que em tão pouco tempo eu ia alcançar no YouTube, não falando só no estado, mas nacional. O pessoal tem me procurado nas redes, mandando composições de fora. Recebo ligações também de fora sobre esse trabalho”, contou Camile Castro, emocionada com a repercussão. Para ela, o sucesso reflete uma mudança no gosto do público, que hoje busca experiências musicais mais autênticas e genuínas, em contraponto à superprodução. “Antigamente a gente sempre pensava naquela superprodução, palco grande, iluminação. Mas hoje as pessoas querem escutar essa simplicidade”, avalia.
Um presente no mês da mulher
A consagração do projeto ganha um significado ainda mais especial por acontecer justamente em março, o mês dedicado às mulheres. Camile Castro faz questão de lembrar que o samba, historicamente um espaço de forte presença masculina, foi pavimentado por grandes artistas femininas. “O samba ainda é muito forte em homens, mas a gente teve Bete Carvalho, Dona Ivone Lara, que apadrinhou muita gente. O próprio Zeca Pagodinho veio através da Bete Carvalho”, destaca. Ao levar a bandeira do samba para todo o Brasil com um trabalho autoral e independente, a cantora acreana não apenas celebra seu próprio sucesso, mas também dá continuidade a um legado de mulheres que construíram a história do gênero. “Levantar essa bandeira do samba e ver esse trabalho sendo bem visto, não só em Rio Branco, mas no Brasil inteiro, é um presente. Eu já chorei, já agradeci a Deus”, finalizou a artista, que agora se consolida como um dos nomes acreanos em ascensão na música brasileira.
Fonte: ContilNet Notícias
Redigido por Acre Atual







