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Relatório aponta Acre como rota estratégica do contrabando de mercúrio na Amazônia

Um relatório elaborado pela Abin, FBSP e MMA aponta o Acre como rota estratégica para o contrabando de mercúrio na Amazônia. Municípios como Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia, na tríplice fronteira com Peru e Bolívia, são usados como corredores logísticos para o metal, que abastece o garimpo ilegal e coloca em risco comunidades ribeirinhas e indígenas.
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Mercúrio Água
Estudo aponta que municípios como Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia funcionam como corredores logísticos por onde o mercúrio ilegal entra no país| Foto: Abin

Um relatório produzido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) acendeu um alerta sobre a situação do Acre no contexto do crime ambiental organizado. O documento, intitulado “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança”, aponta o estado como uma rota estratégica para o contrabando de mercúrio na Amazônia, com destaque para a região da tríplice fronteira com Peru e Bolívia.

Os corredores logísticos do crime

De acordo com o estudo, elaborado em outubro de 2025, municípios acreanos como Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia funcionam como verdadeiros corredores logísticos por onde o mercúrio ilegal entra no Brasil. O metal, proibido em diversas aplicações e de uso controlado devido à sua alta toxicidade, é essencial para a atividade de garimpo ilegal de ouro, onde é utilizado para amalgamar o metal precioso. A rota identificada conecta o Acre à região de La Pampa, no Peru, uma das principais áreas de garimpo ilegal da Amazônia peruana. O relatório detalha o fluxo: “Quanto ao Acre, a existência de corredor logístico boliviano que parte da capital La Paz, atravessa o Peru – sobretudo a região do garimpo de La Pampa –, entra no Brasil pelo município de Assis Brasil/AC, para então chegar a Cobija/Bolívia, indica provável rota de escoamento do mercúrio que abastece o marketplace da região fronteiriça com Brasileia/AC e Epitaciolândia/AC”.

Impacto regional e vulnerabilidade local

Além de atuar como área de trânsito do mercúrio, o Acre está inserido em um contexto regional profundamente preocupante. Do lado peruano da fronteira, na região de Madre de Dios, estima-se que cerca de 40 mil garimpeiros informais atuem, despejando toneladas de mercúrio nos rios da bacia amazônica. Essa contaminação não respeita fronteiras políticas e afeta diretamente os ecossistemas e as populações que dependem dos rios para sobreviver. Embora o relatório reconheça a falta de dados quantitativos específicos sobre apreensões ou níveis de contaminação no Acre, ele é enfático ao classificar os habitantes do estado, especialmente as comunidades ribeirinhas e indígenas, entre os grupos mais vulneráveis à exposição ao metal, principalmente por meio do consumo de peixe contaminado.

Um alerta para a governança

O estudo da Abin, FBSP e MMA não apenas identifica as rotas, mas também aponta os desafios para a governança e o combate a esse crime transnacional. A complexidade da fiscalização em uma área de fronteira, a dificuldade de rastrear o mercúrio (um produto que pode ser transportado em pequenas quantidades) e a conexão com o garimpo ilegal são obstáculos significativos. O documento serve como um chamado para que as autoridades brasileiras, em conjunto com os países vizinhos, desenvolvam estratégias mais eficazes de monitoramento, controle e repressão ao contrabando de mercúrio, visando proteger a saúde das populações amazônicas e preservar a integridade de um dos biomas mais importantes do planeta. O Acre, por sua posição geográfica estratégica, está na linha de frente desse desafio.

Fonte: ContilNet Notícias

Redigido por Acre Atual

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