A saída do prefeito Tião Bocalom do Partido Liberal (PL) não deve ser acompanhada, pelo menos por enquanto, pelos vereadores da legenda na Câmara Municipal de Rio Branco. Em conversa com a reportagem do ContilNet nesta quarta-feira (4), parlamentares da sigla explicaram que, devido às regras da legislação eleitoral, não podem simplesmente deixar o partido neste momento sem correr o risco de perder seus mandatos.
O risco da infidelidade partidária
Os vereadores Antônio Moraes e Joaquim Florêncio foram diretos ao explicar o motivo da permanência na legenda. Segundo eles, o mandato parlamentar não pertence apenas ao político eleito, mas também ao partido pelo qual ele se candidatou. Fora do período permitido por lei, a chamada janela partidária, a desfiliação pode ser interpretada como infidelidade partidária e levar à perda do cargo. “O mandato não é só nosso. É do partido”, destacou um dos parlamentares, resumindo o impasse jurídico que os impede de seguir Bocalom no momento.
Diálogo e expectativa
O vereador Raimundo Neném adotou um tom mais cauteloso e afirmou que o momento é de diálogo interno e de espera por definições da cúpula estadual da sigla. “Estamos conversando, esperamos o nosso senador Marcio Bittar chegar. O momento agora é de ajuste, ver o que vai acontecer mais para frente, e com certeza a direção estadual do partido vai dar o nosso comando”, declarou. Neném fez questão de ressaltar o respeito e a parceria que mantém com o prefeito: “É claro que a gente tem o respeito pelo nosso prefeito Tião Bocalom, sempre ajudei o prefeito”. Apesar da admiração, ele sinalizou que a decisão sobre o futuro dos mandatos será analisada com calma nos próximos dias. “Vamos estar analisando bem direitinho o que vai ser do vereador daqui para frente”, afirmou.
Janela partidária: a chave para a mudança
A janela partidária é um período específico, previsto na legislação eleitoral, durante o qual detentores de mandatos proporcionais (vereadores e deputados) podem trocar de partido sem sofrer as penalidades da infidelidade partidária. Geralmente, essa janela é aberta alguns meses antes das eleições. Até lá, os vereadores do PL em Rio Branco estão, por força da lei, vinculados à legenda pela qual foram eleitos. Isso significa que, mesmo com a saída de Bocalom e com a eventual migração do prefeito para outra sigla, os parlamentares permanecem, por ora, no PL, aguardando o momento adequado para, se for o caso, tomar uma decisão sobre seus futuros partidários. A situação demonstra a complexidade das movimentações políticas, que muitas vezes esbarram em questões legais e prazos eleitorais.
Fonte: ContilNet Notícias
Redigido por Acre Atual







