O governo do Acre deu um passo significativo para a garantia da segurança hídrica em comunidades tradicionais ao assinar, nesta terça-feira (3), a ordem de serviço para a construção de oito poços na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre, localizada no município de Assis Brasil. Com um investimento que soma R$ 2 milhões, a iniciativa promete beneficiar diretamente mais de 1,2 mil famílias, levando água de qualidade a regiões de difícil acesso.
Cooperação internacional e política estruturante
Os recursos para a perfuração dos poços e construção de cacimbas são oriundos de uma cooperação internacional com o banco alemão KfW, por meio do Programa REM fase 2 (REDD+ Early Movers). Este programa integra a política estadual de valorização dos povos indígenas e recompensa financeiramente estados que comprovam a redução do desmatamento. O governador Gladson Camelí destacou a mudança de paradigma na abordagem do estado: “Nosso compromisso é levar o Estado de direito para cada vez mais próximo dos nossos povos indígenas, especialmente daqueles que vivem em regiões isoladas. Esta ação que estamos implementando nas regiões do Purus e do Juruá visa atender diversas aldeias, garantindo acesso à água de qualidade”, afirmou, ressaltando a importância de substituir ações pontuais, como o envio de cestas básicas, por projetos estruturantes e duradouros.
Abrangência e povos beneficiados
O projeto de construção dos poços tem um alcance expressivo, contemplando 38 aldeias e um total de 1.255 famílias indígenas, o que representa aproximadamente 5.186 indígenas entre beneficiários diretos e indiretos. A ação se estende por cinco municípios acreanos: Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo, Jordão, Tarauacá e Mâncio Lima. A iniciativa beneficia sete povos indígenas distintos: Ashaninka, Huni Kui, Nukini, Kaxinawá, Jaminawa, Arara e Yaminawa. As ações alcançam nove terras indígenas: Kampa do Rio Amônia, Kaxinawá da Praia do Carapanã, Nukini, Kaxinawá do Seringal Independência, Kaxinawá do Baixo Rio Jordão, Kaxinawá Ashaninka do Rio Breu, Jaminawa Arara do Rio Bagé, Cabeceira do Rio Acre e Kaxinawá do Rio Jordão.
Esforço integrado para levar dignidade
A execução do projeto não seria possível sem um trabalho conjunto e coordenado entre diferentes esferas de governo e instituições. A secretária extraordinária dos Povos Indígenas, Francisca Arara, explicou a dinâmica dessa parceria. “O apoio do governo do Estado ocorre de forma integrada, por meio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi), em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Contamos também com a parceria fundamental do Saneacre e da assessoria do Movimento Santário de Águas. Este é um esforço coletivo, um conjunto de instituições alinhadas com o objetivo único de levar dignidade e segurança hídrica para dentro dos territórios indígenas”, destacou.
Impacto na saúde e na qualidade de vida
A perfuração de poços artesianos e a construção de cacimbas em terras indígenas vão além do simples acesso à água. Representam uma ação de saúde pública preventiva, reduzindo a incidência de doenças de veiculação hídrica, comuns em comunidades que dependem de fontes superficiais e muitas vezes contaminadas. Além disso, a proximidade da água de qualidade reduz o tempo e o esforço despendidos, principalmente por mulheres e crianças, na busca por água, permitindo que dediquem mais tempo ao estudo, ao convívio familiar e às atividades de subsistência. A iniciativa do governo do Acre, com suporte internacional, materializa um direito humano fundamental e reforça o compromisso com a sustentabilidade e a autonomia das populações indígenas em seus territórios.
Fonte: ContilNet Notícias
Redigido por Acre Atual







