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Indústria da construção tem pior janeiro em 9 anos, aponta pesquisa da CNI

Sondagem mensal da Confederação Nacional da Indústria revela que nível de atividade do setor recuou para 43,1 pontos, o pior desde 2017. Número de empregados cai pelo terceiro mês seguido e juros altos são apontados como principal causa.
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Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O início de 2026 trouxe um sinal de alerta para um setor fundamental da economia brasileira. De acordo com a sondagem mensal divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (26), a indústria da construção tem pior janeiro em 9 anos diz CNI. O nível de atividade do setor no primeiro mês do ano foi o mais baixo desde 2017, evidenciando os efeitos de um cenário econômico desafiador.

Queda na Atividade e no Emprego

O índice que mede o nível de atividade da indústria da construção ficou em 43,1 pontos em janeiro, uma queda significativa em relação aos 44,7 pontos registrados em dezembro. Embora uma retração na passagem de dezembro para janeiro seja esperada, a sondagem da CNI aponta que, em 2026, esse recuo foi mais intenso e disseminado entre os diferentes segmentos do setor. O indicador se encontra no patamar mais baixo para um mês de janeiro em nove anos.

Além da atividade, o mercado de trabalho no setor também mostra fragilidade. O número de empregados na construção civil registra queda há três meses consecutivos. O índice passou de 45,7 pontos em dezembro para 45,3 pontos em janeiro. A Utilização da Capacidade Operacional (UCO), que mede o quanto as empresas estão produzindo em relação ao seu potencial, também atingiu o menor nível em quatro anos, confirmando o quadro de estagnação.

Juros Altos como Principal Vilão

Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o principal fator por trás desse mau desempenho é a política de juros altos. “Os juros altos encareceram o crédito, dificultando o acesso pelas empresas e, consequentemente, os investimentos do setor. Além disso, prejudicaram a demanda, impactando o desempenho da construção”, explica. O crédito mais caro desestimula tanto as empresas a investirem em novas obras e equipamentos quanto as famílias a financiarem a compra de imóveis, gerando um efeito cascata que resulta na paralisação de projetos e na redução de postos de trabalho.

A constatação acende um sinal amarelo para a recuperação econômica do país. O setor é um dos que mais geram empregos e tem um efeito multiplicador importante em outras cadeias produtivas. Os dados de janeiro indicam que, sem uma mudança no cenário de crédito e nos custos de financiamento, a construção civil pode continuar patinando nos próximos meses, com impactos negativos para a economia como um todo.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

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