O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) acionou seus mecanismos de investigação para coibir dois crimes graves que se somam à dor de uma tragédia familiar: a exposição da imagem de uma criança morta e a disseminação de notícias falsas sobre o caso. A Promotoria de Justiça Cível de Sena Madureira instaurou procedimento para apurar a circulação de conteúdos relacionados à morte de uma criança de 10 anos, ocorrida em 18 de fevereiro no município. O foco é combater a divulgação de identidade e notícias falsas sobre morte de criança.
Preservação da Imagem e Combate à Desinformação
De acordo com o MPAC, a principal preocupação neste momento é garantir a preservação da dignidade da vítima e de sua família. O órgão ministerial determinou, como medida prioritária, a retirada de circulação de fotografias, do nome completo da criança e de qualquer outro dado que possa permitir sua identificação nas redes sociais e em sites de notícias.
A ação do MP se baseia no entendimento de que a liberdade de imprensa e de expressão, embora fundamentais, não são direitos absolutos. A promotoria cita expressamente o julgamento do Tema 837 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece limites a essas liberdades, especialmente quando estão em conflito com direitos como a honra, a imagem e a dignidade de crianças e adolescentes. A decisão de investigar é uma aplicação prática desse princípio.
Investigação e Medidas Preventivas
O Ministério Público também solicitou informações à Polícia Civil para verificar se já foi instaurado inquérito para apurar as circunstâncias da morte da criança. Paralelamente, o órgão busca entender se houve influência de ambientes virtuais no ocorrido, para além da simples divulgação posterior.
O objetivo mais amplo da investigação é subsidiar a adoção de medidas preventivas que possam evitar que situações semelhantes de violação de direitos de crianças e adolescentes se repitam no futuro. A atuação do MPAC demonstra que a tragédia da perda de uma vida jovem não pode ser agravada pela exposição desumana e pela propagação de boatos e desinformação. Ao focar na divulgação de identidade e notícias falsas sobre morte de criança, o órgão reafirma o compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, mesmo nas circunstâncias mais dolorosas.
Fonte: Ac24horas
Redigido por Acre Atual







