Há exatos quatro anos, o mundo assistia ao início de um dos maiores conflitos armados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Nesta terça-feira (24), a data que marca a invasão russa à Ucrânia foi recebida com demonstrações de solidariedade, mas também com sinais de desgaste na aliança ocidental. Enquanto a UE reage aos 4 anos de guerra com demonstrações de apoio à Ucrânia, vetos e decisões unilaterais de Estados-membros expõem as rachaduras no bloco.
Símbolos de Apoio e Encontros de Alto Nível
Em Bruxelas, a sede da União Europeia amanheceu com seus principais edifícios — o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão — iluminados nas cores azul e amarela da bandeira ucraniana. O gesto simbólico visa lembrar o compromisso do bloco, que desde 2022 se consolidou como um dos principais pilares de suporte a Kiev, fornecendo assistência financeira, política e militar.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participou de uma sessão extraordinária no Parlamento Europeu por videoconferência. Em Kiev, ele recebeu pessoalmente a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para uma cerimônia oficial e uma visita a infraestruturas danificadas por ataques russos. A imagem que se quer passar é de unidade e resistência, mas os bastidores contam uma história mais complexa.
Os Rachas no Bloco: Hungria e Eslováquia
Apesar da fachada de união, dois países membros têm dificultado o consenso. A Hungria, do primeiro-ministro Viktor Orbán, impôs um veto duplo que impediu a aprovação de um novo pacote de sanções contra a Rússia e bloqueou um empréstimo bilionário de € 90 bilhões para a Ucrânia. Orbán, que mantém laços próximos com Moscou, já havia condicionado o apoio anterior, mas a situação se agravou após uma disputa envolvendo o transporte de petróleo russo via oleoduto.
A Eslováquia, por sua vez, anunciou a suspensão do fornecimento emergencial de eletricidade à Ucrânia. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, justificou a medida com a mesma disputa sobre o oleoduto. A decisão ocorre em um momento crítico — o inverno europeu —, quando os ataques russos à infraestrutura energética já tornaram esta a estação mais dura da história do país. O fato ao mesmo tempo em que dois de seus membros agem na contramão expõe a fragilidade da política externa do bloco.
O Peso da Ajuda e o Futuro
Desde o início da guerra, a União Europeia já destinou cerca de € 195 bilhões em assistência à Ucrânia. O novo pacote de € 90 bilhões, agora ameaçado pelo veto húngaro, é visto como essencial para a estabilidade financeira do país, especialmente num momento em que os Estados Unidos reduziram o aporte direto de recursos, mantendo-se como fornecedor de inteligência e armamentos.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, já se manifestou contra o veto, afirmando que nenhum Estado-membro pode minar a credibilidade das decisões coletivas. Uma reunião de emergência sobre o assunto está prevista para esta quarta-feira. Enquanto isso, o mundo observa: se a UE reage aos 4 anos de guerra com demonstrações de apoio à Ucrânia em público, nos corredores de Bruxelas a batalha é para garantir que esse apoio não seja apenas simbólico, mas efetivo e unânime.
Fonte: Metrópoles
Redigido por Acre Atual







