O governo brasileiro deu um passo estratégico para ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a missão presidencial na Índia, foram firmadas três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que visam à produção de medicamentos oncológicos essenciais. A iniciativa marca um novo capítulo na relação bilateral, com a parceria Brasil e Índia sendo celebrada como um marco para a saúde pública e a autonomia tecnológica nacional.
Os Medicamentos e o Investimento
As parcerias contemplam três fármacos fundamentais no combate a diferentes tipos de câncer. São eles: pertuzumabe, usado no tratamento do câncer de mama; dasatinibe, indicado para leucemias; e nivolumabe, um imunoterápico utilizado contra câncer de pele e outros tumores.
No primeiro ano de execução dos acordos, o Brasil deverá investir R$ 722 milhões. A projeção do Ministério da Saúde é que, em uma década, o investimento nacional possa chegar a R$ 10 bilhões, contemplando a fabricação e a oferta contínua desses medicamentos à população. O modelo de Brasil e Índia para produção de medicamentos vai além da simples compra: ele prevê a transferência de tecnologia e a internalização da produção em território brasileiro.
Transferência de Tecnologia e Soberania Sanitária
O objetivo central dos acordos é reduzir a dependência externa do Brasil na área de fármacos de alta complexidade. Com a transferência de tecnologia, laboratórios públicos e privados brasileiros serão capacitados para fabricar esses medicamentos localmente, garantindo maior estabilidade nos estoques e previsibilidade no abastecimento do SUS.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância histórica da parceria. “Brasil e Índia trabalham lado a lado, há décadas, na defesa da equidade no acesso a medicamentos, sobretudo os genéricos, e da soberania sanitária no âmbito da Organização Mundial da Saúde”, afirmou. Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que os acordos vão além do tratamento: “viabilizam a transferência de tecnologia para fortalecer a produção nacional, gerar emprego e renda e ampliar a autonomia e a segurança dos pacientes brasileiros”.
Outros Acordos na Área da Saúde
Além das PDPs, Brasil e Índia assinaram outros instrumentos de cooperação. Um termo aditivo prorrogou por mais cinco anos o memorando de entendimento em saúde, ampliando a cooperação para áreas como produção de vacinas, biofabricação, saúde digital e inteligência artificial. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também firmou um memorando com sua homóloga indiana para troca de informações regulatórias sobre medicamentos e dispositivos médicos.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi parte ativa nas negociações, assinando memorandos com laboratórios farmacêuticos indianos para pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos considerados estratégicos pelo Ministério da Saúde. O conjunto de ações consolida o Brasil e a Índia como um dos pilares da nova política industrial e de saúde do país, unindo esforços para salvar vidas e construir um futuro com mais dignidade e autonomia para os pacientes do SUS.
Fonte: Agência Brasil
Redigido por Acre Atual







