O governo do Acre deu um passo estratégico para se consolidar como a principal porta de saída da produção brasileira para o Oceano Pacífico. Nesta sexta-feira (20), representantes do estado participam de um encontro de alto nível na Câmara de Comércio e Indústria de Arequipa (CCIA), no Peru, para articular a criação da Aliança Bioceânica Acre Peru. A iniciativa visa acelerar a integração logística e comercial entre o norte do Brasil e os departamentos do sul do país vizinho.
Um Novo Eixo de Desenvolvimento
A proposta, liderada pelas Secretarias de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) e de Planejamento (Seplan) do Acre, busca transformar a infraestrutura rodoviária existente — especialmente o corredor da estrada bioceânica (Quadrante Rondon) — em um motor econômico vivo. A ideia é que a Aliança Bioceânica Acre Peru funcione como um fórum permanente para destravar gargalos históricos, como a burocracia alfandegária, a falta de investimentos em infraestrutura e a necessidade de acordos bilaterais mais ágeis.
O secretário da Seict, Assurbanipal Mesquita, destacou o novo protagonismo acreano. “Iniciamos uma agenda de integração mais ativa para acelerar tratativas e investimentos. A proposta é criar uma aliança protagonizada pelo Acre para agilizar decisões nas esferas nacionais, potencializando rodadas de negócios, melhorias alfandegárias e o turismo regional”, explicou durante o encontro.
Portos Peruanos na Mira: Chancay, Ilo e Matarani
O grande objetivo logístico da articulação é conectar a produção do Acre, Mato Grosso e da Bolívia aos portos peruanos do Pacífico, com destaque para o megaprojeto do Porto de Chancay (gerido pela chinesa Cosco Shipping) e os terminais de Ilo e Matarani. A localização estratégica desses portos reduz drasticamente o tempo e o custo de envio de mercadorias para a Ásia, em comparação com a rota tradicional pelos portos do Atlântico.
A executiva comercial da Cosco Shipping, Alejandra Belon, confirmou o interesse da gigante global. “Buscamos mover mais carga brasileira e boliviana via Matarani e Chancay. Quanto mais volume tivermos, melhor será o serviço. Atualmente operamos quinzenalmente, mas estamos dispostos a oferecer frequências semanais para atender a demanda que virá deste trabalho”, afirmou.
União de Esforços Políticos e Institucionais
A missão no Peru também contou com a participação do primeiro secretário da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Luiz Gonzaga, que reforçou a união entre os poderes estaduais para viabilizar o projeto. “Acre, Mato Grosso e Peru podem se fortalecer mutuamente. Precisamos fazer com que a nossa rodovia transoceânica realmente funcione para aumentar nossa produção e comércio. Esse trabalho conjunto entre o governo Gladson Cameli e a Aleac é o que está fazendo as coisas avançarem”, pontuou Gonzaga.
Pelo lado peruano, o gerente de Desenvolvimento Econômico de Moquegua, Cristian Felipe Nina Masquera, celebrou a aproximação. “Nossa participação visa reforçar a união bilateral e elevar a competitividade logística. Esta reunião é fundamental para promover o Porto de Ilo como saída para a carga brasileira no prazo mais curto possível”, disse.
Próximos Passos da Aliança
A reunião em Arequipa resultou na entrega de um documento oficial da Aliança Bioceânica Acre Peru aos representantes das regiões presentes. Participaram do diálogo os governos de Arequipa e Moquegua, câmaras de comércio locais, a Comissão de Promoção do Peru para a Exportação e o Turismo (Promperu) e a Zona Especial de Desenvolvimento de Ilo (ZED de Ilo). Por videoconferência, também acompanharam representantes da Agência de Negócios do Acre (Anac) e do governo de Mato Grosso.
O próximo passo agora é a articulação para a adesão formal de cada região à aliança e a criação de um fórum técnico permanente. A expectativa é que, em breve, uma comitiva de autoridades peruanas visite o Acre para a assinatura de um protocolo de intenções, consolidando de vez o estado como o hub logístico e comercial da integração bioceânica.
Fonte: Ac24horas
Redigido por Acre Atual







