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Funai aprova delimitação de terra indígena do povo Nawa no Acre após 20 anos de luta

Após duas décadas, a Funai aprovou a delimitação da Terra Indígena do povo Nawa, no Acre. O território de 65 mil hectares, entre Mâncio Lima e Rodrigues Alves, garante segurança jurídica e preservação cultural.
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nawa Acre
A área reconhecida está situada entre os municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no Acre, e abrange cerca de 65 mil hectares | Crédito: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real

A luta de mais de 20 anos do povo Nawa/Kapanawa, no interior do Acre, por um território reconhecido legalmente deu um passo decisivo. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) aprovou o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena Nawa, um documento técnico que valida a área tradicionalmente ocupada por essa comunidade no Vale do Juruá. A assinatura do despacho foi feita pela presidenta da Funai, Joenia Wapichana, e representa a primeira grande vitória administrativa em um processo que se arrastava desde o início dos anos 2000.

Um Território de 65 Mil Hectares no Coração da Floresta

A área delimitada abrange aproximadamente 65 mil hectares de floresta amazônica, localizada entre os municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no extremo oeste do Acre. O estudo aprovado não se limitou a definir os limites geográficos; ele também incorpora uma rica análise histórica, antropológica e ambiental que comprova a ocupação tradicional e a relação de mais de 300 indígenas, distribuídos em dezenas de famílias, com a terra. Para essas comunidades, o território é mais do que um espaço físico: é a base para sua reprodução cultural, social e econômica, com modos de vida intrinsecamente ligados à saúde da floresta.

O Significado da Delimitação para o Povo Nawa

Para as lideranças indígenas que acompanharam a formalização do ato em Brasília, a aprovação da demarcação terra indígena Nawa Acre é o reconhecimento oficial de uma luta transmitida entre gerações. O nome “Nawa”, originário de línguas do tronco Pano, carrega o significado de “povo” ou “gente”, enquanto “Kapanawa” remete à sua ancestralidade. A memória coletiva do grupo preserva histórias de resistência contra deslocamentos forçados e a perda de territórios ao longo do século XX.

Com a publicação do relatório, a terra indígena deixa a condição de simples reivindicação e ganha uma delimitação oficial no âmbito administrativo. Isso proporciona uma primeira camada de segurança jurídica, inibindo a entrada de não-indígenas e a exploração ilegal de recursos, além de fortalecer a proteção do território contra o desmatamento e as queimadas.

Os Próximos Passos do Processo Demarcatório

A aprovação do RCID é uma etapa crucial, mas não a final, no longo caminho da regularização fundiária. Agora, o processo da demarcação terra indígena Nawa Acre segue para as próximas fases legais:

  1. Prazo para Contestações: Após a publicação, abre-se um período legal para que estados, municípios ou interessados possam contestar o estudo, se assim desejarem.
  2. Declaração dos Limites: Superada a fase de contestações, cabe ao Ministério da Justiça declarar oficialmente os limites da terra indígena.
  3. Demarcação Física: Com a declaração, a Funai realiza a demarcação física, colocando marcos e placas nos limites do território.
  4. Homologação: O ato final é a homologação da demarcação por decreto presidencial, que dá à terra indígena a mais alta segurança jurídica.

Política de Retomada das Demarcações

A assinatura do despacho por Joenia Wapichana, primeira indígena a presidir a Funai, é vista por organizações indigenistas como um sinal da retomada das políticas de demarcação como estratégia de proteção cultural, ambiental e social. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) acompanhou de perto o processo, destacando a importância da regularização fundiária para a garantia dos direitos originários e para a manutenção dos serviços ambientais prestados pelas florestas sob posse indígena.

Com a aprovação da delimitação, o povo Nawa/Kapanawa dá um passo gigantesco para deixar de ser apenas mais uma história de resistência e se tornar um exemplo concreto de reparação histórica e preservação da sociobiodiversidade amazônica.

Fonte: ContilNet Notícias

Redigido por Acre Atual

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