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Portugal esbarra em regra da Fifa para eternizar camisa 7 de Cristiano Ronaldo

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Veja na íntegra a carta de despedida de Cristiano Ronaldo da seleção de Portugal

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) – A aposentadoria de Cristiano Ronaldo da seleção portuguesa, anunciada na quinta-feira (5), abriu uma discussão sobre o futuro da camisa 7, utilizada pelo atacante ao longo de mais de duas décadas. Apesar das manifestações favoráveis à retirada do número como homenagem ao jogador de 41 anos, uma regra da Fifa impede que a ideia seja colocada em prática nas competições oficiais.

 

O regulamento da Fifa exige que os atletas inscritos na Copa do Mundo recebam números sequenciais, de 1 a 26. A Uefa também estabelece numeração obrigatória nas competições que organiza. Na Liga das Nações 2026/27, os jogadores devem utilizar números de 1 a 23 na fase de grupos e de 1 a 26 na fase final.

A Argentina enfrentou o mesmo impedimento antes da Copa do Mundo de 2002, quando tentou aposentar a camisa 10 de Diego Maradona. A AFA (Associação do Futebol Argentino) chegou a anunciar a retirada do número, mas a Fifa rejeitou a homenagem por contrariar o regulamento.

A discussão também envolve Lionel Messi, que disputou em outubro sua última partida pela seleção argentina. Apesar da trajetória do atacante, a camisa 10 terá de continuar disponível para os jogos oficiais.

Em Portugal, a possibilidade de aposentar a camisa 7 divide ex-jogadores da seleção. Em outubro, durante uma cerimônia de premiação esportiva em Lisboa, o ex-atacante Paulo Futre defendeu a retirada do número como homenagem a Cristiano Ronaldo.

“A camisa 7 tem de ser retirada da seleção, o Cristiano tem de sair em grande”, afirmou o ex-jogador, segundo o jornal português Diário de Notícias.

Humberto Coelho, ex-técnico da seleção portuguesa e vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, manifestou posição contrária. Em entrevista ao mesmo jornal, na quinta-feira, argumentou que o número deve continuar a ser utilizado.

“O Cristiano tornou (o 7) um número muito especial, mas, quanto a mim, deve continuar a ser utilizado na seleção”, afirmou.

A camisa 7 já foi utilizada por outros jogadores durante as ausências de CR7. Em outubro, depois que o atacante deixou a concentração portuguesa em meio a um desentendimento com o técnico Jorge Jesus, Rafael Leão recebeu o número. Já o Jornal de Notícias aponta Pedro Neto (Chelsea) e Francisco Conceição (Juventus) como outros candidatos.

A saída de Ronaldo da concentração aconteceu após ele permanecer no banco durante a vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, no fim de setembro. O atacante deixou a concentração da equipe em Copenhague na véspera da partida contra a Dinamarca.

Em outubro, pediu desculpas aos torcedores e aos companheiros, mas afirmou que Jorge Jesus havia descumprido acordos entre os dois. O treinador respondeu que o atacante poderia voltar à seleção se quisesse.

Ronaldo estava na pré-lista de Jorge Jesus para os próximos compromissos da Liga das Nações, competição em que Portugal já garantiu vaga nas quartas de final. O treinador afirmou que pretendia convocá-lo e que só soube da aposentadoria após o anúncio público.

Em vídeo publicado no Instagram, Ronaldo afirmou que chegou o momento de devolver “a camisa 7 da seleção de todos nós”.

“Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la a estádios do mundo inteiro”, afirmou o craque português.

A despedida encerra uma trajetória iniciada em agosto de 2003, quando Ronaldo estreou pela seleção portuguesa aos 18 anos, em amistoso contra o Cazaquistão. Seu primeiro gol saiu em junho de 2004, contra a Grécia, na partida de abertura da Eurocopa. Ao todo, foram 146 gols em 234 partidas, recordes de gols e de jogos por seleções masculinas.

Em 2016, Ronaldo conquistou a Eurocopa, primeiro grande título da seleção portuguesa. O atacante deixou a final contra a França ainda no primeiro tempo, após sofrer uma lesão. Portugal venceu por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Éder.

O jogador também conquistou a Liga das Nações em 2019 e 2025. Na segunda campanha vitoriosa, marcou o gol do empate por 2 a 2 com a Espanha na decisão, vencida pelos portugueses nos pênaltis.
Impacto no marketing

Fora de campo, a despedida de Cristiano Ronaldo também provoca preocupação com o futuro comercial da FPF (Federação Portuguesa de Futebol). Afinal, o jogador é quem mais estampa outdoors espalhados em Portugal e é, de longe, o jogador mais querido pelas crianças no país.

Segundo informações do jornal português O Jogo, os principais contratos de patrocínio da entidade estão assegurados até 2030, ano em que Portugal dividirá com Espanha e Marrocos a organização da Copa do Mundo.

O diretor executivo do Instituto Português de Administração de Marketing, Daniel Sá, alertou para as dificuldades que a federação poderá enfrentar na tentativa de preservar suas receitas e sua projeção internacional sem a presença do maior ídolo.

“Quando Ronaldo sair, Portugal vai cair numa escada rolante a grande velocidade”, afirmou o especialista em declaração reproduzida pelo jornal A Bola.

Para o especialista, a federação precisará desenvolver uma estratégia comercial menos dependente de uma única figura. Uma das alternativas seria preservar a ligação de Ronaldo com a seleção, mantendo o ex-capitão como embaixador informal do futebol português.

A Federação Portuguesa de Futebol já anunciou que pretende organizar uma homenagem ao ex-capitão, mas ainda não apresentou detalhes. Com a aposentadoria, Jorge Jesus terá de escolher um novo dono para a camisa 7. Portugal enfrentará a Dinamarca em 14 de novembro e País de Gales no dia 17, pela Liga das Nações.

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