O presidente Lula apostou no passado e na emoção para iniciar oficialmente a campanha em busca do seu quarto mandato presidencial.
No ato de largada à reeleição, no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo, Lula falou por mais de 30 minutos e, além de lembrar da história da mãe, dona Lindu, rememorou o início de sua carreira política e disse que quer um quarto mandato para não deixar a direita voltar a governar o Brasil.
Lula “tirou o chapéu” para o público, lembrou da radioterapia, fez acenos às mulheres e aos jovens — dois públicos que são vistos como fundamentais para os atuais candidatos.
O que aconteceu
A campanha começou oficialmente hoje e, para dar a largada, Lula escolheu um lugar simbólico para fazer sua estreia. O petista foi a São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, onde construiu sua trajetória política como metalúrgico; estava lá também no momento em que se entregou para ser preso, em 2018. O partido perdeu poder no ABC paulista, embora seja o berço do petismo — na eleição passada, o candidato do PT à Prefeitura de São Bernardo ficou somente em terceiro lugar; na região, a legenda venceu apenas em Mauá.
O presidente buscou a emoção, com imagens do “Lula do passado”. O presidente participou ativamente da preparação do ato na Vila Euclides. Em um vídeo, o Lula de hoje “conversou com o Lula do passado”. “Aguenta companheiro, que a democracia vai vencer”. “Aqui, em 2026, a gente reconstruiu o Brasil e quer mais”. O vídeo misturava imagens da greve de 79 na Vila Euclides.
No palco, Lula oficialmente estampou o slogan “O Brasil pronto para mais”, mas com o lema “Onde tudo começou”. Ao seu lado estavam o candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, entre outros aliados e postulantes a cadeiras no Congresso.
Lula refez promessa do ministério da Segurança Pública. O presidente lembrou a recente conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e disse que se a PEC da Segurança for aprovada vai criar o ministério, que já tinha prometido em 2022.
Alfinetada no ministro do STF Dias Toffoli. O presidente lembrou em seu discurso dois momentos distintos que esteve preso e atuações distintas para que ele saísse da cadeia – uma para o enterro da mãe, autorizado por um delegado mesmo na época da ditadora. E outra, quando ele estava preso em Curitiba, em 2019, e que Dias Toffoli, ministro indicado por ele ao STF, não autorizou que ele saísse para o enterro do neto.
Janja cita Marisa Letícia e canta jingle
A primeira-dama Janja da Silva foi uma das principais atrações do evento. Começou sua fala reclamando do microfone, fez uma homenagem à ex-esposa de Lula, Marisa Letícia, e depois chamou o cantor evangélico Kleber Lucas para, juntos, cantarem uma música de homenagem ao Lula.
Janja surpreendeu ao reconhecer a importância de Marisa Letícia para o PT. Nos bastidores, ela é conhecida por não gostar que aliados do presidente falassem da ex-esposa de Lula.
Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente. – Primeira-dama Rosângela Silva, a Janja
Discursos sobre soberania
Tema da soberania deu o tom dos discursos de Lula e aliados. A estratégia ocorre em meio à escalada nas tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Discursaram antes de Lula subir ao palco candidatos ao Senado: falaram as ex-ministras Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o também ex-ministro Paulo Pimenta (PT-RS), entre outros políticos de esquerda.
Tebet reforçou a polarização e atacou uso de bandeira dos EUA. A candidata ao Senado por SP criticou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, segundo as pesquisas. “Enquanto eles falam de pátria, quem defende as cores da bandeira somos nós. Eles desfilam na Paulista com bandeias dos EUA”.
Marina Silva convocou as mulheres para apoiar o atual presidente. A também candidata ao Senado por SP falou sobre pautas ambientais e também pediu votos para Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. “Agora não vamos dar nenhum passo para trás. A partir de agora estamos em campanha.”







