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Lula deve remanejar ministros e terá desafio de abrigar no governo aliados derrotados em eleições

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O agora presidente reeleito Lula (PT) deverá fazer remanejamentos no primeiro escalão de seu governo ao longo das próximas semanas. Na análise de petistas ouvidos pela Folha de S.paulo, haverá dificuldade devido a derrotas de seu grupo político nos estados: muitos dos aliados de peso ficaram sem mandato, e abrigá-los todos em cargos de destaque no Executivo pode ser inviável.

 

O senador Camilo Santana (PT-CE), que foi ministro da Educação no atual mandato de Lula, é o principal cotado para assumir a Casa Civil. Guilherme Boulos pode continuar na Secretaria Geral, mas também é especulada uma mudança para a pasta das Cidades.

Os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Vinícius Carvalho (CGU) e Wellington César (Justiça) podem deixar o governo. Dias, especificamente, tem mandato de senador. A saída dele do Executivo e sua consequente volta ao Senado fortaleceria a bancada governista na Casa, onde o bolsonarismo ganhou espaço na eleição.

Um dos que devem ser preservados na Esplanada é Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Nome de confiança do presidente, o médico já ocupou o cargo durante o governo de Dilma Rousseff (PT). A ideia de mantê-lo ficou implícita no discurso de vitória do presidente: “Vamos continuar, companheiro Padilha, fazendo a revolução do SUS”, disse Lula neste domingo (25).

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é cotado para o Ministério da Fazenda e teria que abrir mão do cargo para assumi-lo. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também é mencionado nos bastidores como possível nome para liderar a equipe econômica. Até o início deste ano, ele acumulava a vice-presidência com a pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O atual ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Sidônio Palmeira, não deve permanecer no cargo. A interlocutores, ele disse ter a intenção de apenas concluir o atual mandato. O mais cotado para o posto é o atual secretário de Imprensa do Planalto, Laércio Portela. Ele chegou a ocupar a Secom temporariamente nesta gestão petista.

Considerado fundamental para a reeleição de Lula pela mobilização que capitaneou nas redes sociais, o deputado federal André Janones (Rede-MG) deverá ser contemplado de alguma forma, não necessariamente com a chefia de um ministério. Aliados do presidente avaliam que Janones terá, ao menos, acesso facilitado a Lula, possivelmente com a criação de uma nova estrutura para seu trabalho.

O grupo dos aliados mais importantes de Lula que perderam suas respectivas eleições tem políticos como Fernando Haddad (PT-SP), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Paulo Pimenta (PT-RS), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Simone Tebet (PSB-SP), Márcio França (PSB-SP), João Campos (PSB-PE), Eduardo Paes (PSD-RJ), Carlos Fávaro (PSD-MT), Renan Filho (MDB-AL) e Marina Silva (Rede-SP).

A conjuntura política que emergiu da eleição para o Legislativo deixará os espaços no governo mais apertados. Como a oposição bolsonarista ganhou musculatura no Congresso, a tendência é que Lula precise dividir o poder com partidos que não o apoiaram durante a campanha eleitoral. O atual governo do petista já teve ministérios loteados para diversas siglas do centrão.

João Campos é o integrante do PSB cuja presença no governo é mais provável, segundo aliados de Lula. Ele é presidente do partido e foi derrotado na eleição para governador de Pernambuco. Também é um político jovem, o que vai ao encontro da ideia de renovação que Lula tem indicado buscar.

Haddad era o principal cotado para assumir a Casa Civil de um governo Lula 4, mas o cenário mudou após o primeiro turno. Ele foi derrotado em São Paulo pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscava a reeleição. Ao mesmo tempo, o grupo político de Camilo Santana obteve uma vitória difícil no Ceará. Camilo se tornou um dos aliados mais próximos de Lula durante a reta final da campanha.

Assim como Wellington Dias, Renan Filho tem mais quatro anos de mandato como senador. Seu nome é cotado para assumir a liderança do governo na Casa, hoje ocupada por Teresa Leitão (PT-PE), ou no Congresso, hoje de Randolfe, que não se reelegeu. Seu nome também é lembrado para a Fazenda.

O obstáculo poderá ser Arthur Lira (PP-AL). Principal adversário político da família Calheiros, Lira foi eleito senador. Como já foi presidente da Câmara, deverá chegar ao Senado com influência junto a outros integrantes da Casa.

Além de Camilo, um dos poucos senadores aliados de Lula cotados para ocupar cargos fora da Casa é Helder Barbalho (MDB-PA). Caso ele se licencie para comandar um ministério, o suplente que assumirá o mandato de senador é Jader Barbalho (MDB), seu pai. Jader já foi presidente do Senado, cumpriu três mandatos como senador e é aliado de Lula há décadas.

Uma das prioridades do grupo político de Lula é garantir as reeleições de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e de Hugo Motta (Republicanos-PB) como presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente. O movimento é considerado fundamental para reduzir as dificuldades que o governo petista terá ao lidar com as forças de direita que ganharam espaço no Congresso. Motta e Alcolumbre deverão participar da montagem do primeiro escalão do Executivo.

Com informações da Notícias ao Minuto

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