A liderança indígena Américo Pascuala Tomisha, da comunidade Onconashari, no distrito de Yurúa, na província de Atalaya, região de Ucayali, no Peru, foi assassinada no último dia 23 de agosto enquanto realizava atividades de vigilância e proteção territorial.
Américo atuava como coordenador do Comitê de Vigilância de sua comunidade e participava diretamente da defesa do território indígena. O assassinato gerou manifestações de solidariedade e preocupação entre organizações que atuam na defesa dos povos indígenas na região de fronteira entre Peru e Brasil.
Em nota, a Comissão Pró-Índio do Acre manifestou solidariedade aos familiares e amigos da liderança e ao povo Ashaninka do Alto Juruá. A entidade também cobrou das autoridades peruanas uma investigação imediata sobre o crime, com imparcialidade, transparência e responsabilização dos envolvidos.
A entidade defendeu ainda a adoção de medidas para garantir a segurança de lideranças e defensores indígenas que atuam na região. Para a organização, a violência contra os povos indígenas na fronteira não deve ser tratada como um caso isolado.
Segundo a entidade, a fragilidade das ações dos Estados peruano e brasileiro na proteção das fronteiras e dos territórios indígenas aumenta a vulnerabilidade das comunidades diante de ameaças e atividades criminosas.
“Quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que medidas efetivas sejam tomadas?”, questiona a organização na manifestação.
A entidade destacou que a defesa dos territórios e da floresta é exercida, muitas vezes, de forma comunitária e voluntária, e não pode resultar na perda da vida daqueles que desempenham essa função.
Américo Pascuala Tomisha mantinha atuação ligada à proteção territorial de sua comunidade e era reconhecido como uma liderança na região. A Comissão Pró-Índio do Acre também ressaltou a parceria histórica mantida com o povo Ashaninka do Alto Juruá em ações relacionadas à defesa dos direitos indígenas, dos territórios e da floresta.
Nota
A Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre) manifesta profunda solidariedade à comunidade Onconashari, no distrito de Yurúa, e aos familiares e amigos de Américo Pascuala Tomisha, antiga liderança da comunidade localizada na província de Atalaya, na região de Ucayali, no Peru, assassinado no último dia 23 de agosto, enquanto exercia atividades de vigilância e proteção territorial.
Américo atuava como coordenador do Comitê de Vigilância de sua comunidade, contribuindo para a defesa do território. Diante da gravidade do ocorrido, a CPI-Acre cobra das autoridades peruanas a imediata investigação e apuração dos fatos, com total imparcialidade, transparência e responsabilização dos envolvidos, garantindo também proteção às lideranças e aos defensores indígenas que atuam na região.
A violência que atinge os povos indígenas na região de fronteira entre Peru e Brasil não pode ser tratada como um problema isolado. A ineficiência dos Estados peruano e brasileiro na proteção das fronteiras e dos territórios indígenas amplia a vulnerabilidade das comunidades e pode resultar em novas mortes. A fronteira não pode permanecer entregue à própria sorte, especialmente diante de ameaças e ações criminosas que atentam contra a vida das pessoas, a integridade dos territórios e a conservação da floresta.
A CPI-Acre questiona quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que medidas efetivas sejam tomadas e defende que a proteção dos territórios e da floresta não continue custando a vida de quem exerce, muitas vezes de forma comunitária e voluntária, a função de proteger seu território.
A organização estende seu apoio à família de Américo Pascuala Tomisha e a todo o povo Ashaninka da região do Alto Juruá, na fronteira com o Peru, com quem mantém parcerias construídas ao longo de muitos anos em defesa dos direitos indígenas, da vida, dos territórios e da floresta.
Américo Pascuala Tomisha/Foto: Reprodução






