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Há notícias que a gente não queria receber e a partida de Braguinha é uma delas

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Há notícias que a gente não queria receber e a partida de Braguinha é uma delas

Francisco Braga, o Braguinha, deixou sua marca no jornalismo e na cultura do Acre /Foto: Arquivo pessoal

A notícia da partida de Francisco Braga, o nosso Braguinha, me entristeceu profundamente. Ainda custa acreditar. Ele parecia ter tanta vida pela frente, tantas histórias para contar, tantas coisas para desenhar.

Trabalhamos juntos no jornal O Rio Branco, num tempo em que não existia internet para apressar a notícia. Era o tempo do jornal impresso, das pessoas reunidas na redação, do trabalho feito lado a lado. É desse lugar da minha vida que Braguinha volta hoje à minha memória: não apenas como o artista talentoso que tantos conheceram, mas como meu amigo.

Ele era brincalhão, irreverente e, às vezes, inconsequente daquele jeito que fazia parte da sua personalidade. Quem conviveu com ele sabe que era impossível reduzir Braguinha a uma profissão. Era jornalista, chargista, cartunista, designer, poeta e cronista. Tinha o olhar de quem percebia o que outros deixavam passar e a coragem de transformar esse olhar em desenho e palavra.

Amigo e colega de redação, Braguinha é lembrado pelo talento e pelas histórias compartilhadas ao longo dos anos /Foto: Arquivo pessoal

Entre as lembranças que guardo, há uma que posso pegar nas mãos: um desenho que ele fez de mim. Tenho por ele um carinho enorme. Hoje, ao olhar para aquele papel, penso menos na pessoa que Braguinha desenhou e mais no amigo que estava ali, do outro lado do traço. É uma lembrança preciosa de um tempo que não volta e de alguém que eu gostaria de abraçar mais uma vez.

Braguinha construiu uma trajetória na imprensa e na cultura do Acre, publicou livros e recebeu reconhecimento pelo seu trabalho. Mesmo depois de ir viver no Rio de Janeiro, deixou por aqui uma marca que a distância não apagou. Mas nenhum prêmio consegue medir o espaço que uma pessoa ocupa na vida dos amigos.

Hoje, sinto a dor de saber que não haverá outra conversa, outra brincadeira, outro encontro. Fica o desenho que ele me deu. Ficam as lembranças da redação. Fica a gratidão por termos dividido um pedaço do caminho.

Descanse em paz, meu amigo Braguinha. Que Deus cuide de você onde estiver. E que dê conforto a todos nós que vamos sentir sua falta.

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