O candidato derrotado à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, voltou a questionar nesta sexta-feira a legitimidade das eleições e classificou o resultado como “matematicamente impossível”. O senador também acusou Luiz Inácio Lula da Silva de ter vencido a disputa com um “gol de mão”, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.
“Há muitas coisas inexplicáveis nessas eleições, que matematicamente é impossível que tenham acontecido no mundo real, a menos que, como eu disse, tenha havido algum gol de mão”, declarou o político de extrema direita.
Sem apresentar provas das supostas irregularidades no segundo turno, realizado em 25 de outubro, Flávio prometeu explicar suas alegações “muito em breve”. Ele também defendeu que o Congresso Nacional se transforme em uma “trincheira” de resistência para “impedir ou retardar o grande caos que o atual presidente da República vai instaurar”.
Na avaliação do senador, de 45 anos, Lula deverá sofrer um processo de destituição “antes do que muitos imaginam”, em razão de medidas econômicas que classificou como “radicais”, entre outros motivos que não detalhou.
Flávio comparou o cenário econômico atual ao período em que Dilma Rousseff governou o país, entre 2011 e 2016, e afirmou que a situação agora é “muito pior”. A ex-presidente foi afastada do cargo por decisão do Congresso.
O senador agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores que apoiaram sua candidatura e não descartou disputar novamente a Presidência antes de 2030. “Se for necessário, estarei disponível para disputar novamente a Presidência da República. E não estou falando de 2030, estou falando de antes disso”, afirmou.
Durante a transmissão, Flávio também explicou que deixou o Brasil com a esposa e as duas filhas em direção aos Estados Unidos após receber uma notificação sobre a proibição de viajar para o exterior e a determinação de entregar seus passaportes, tanto o diplomático quanto os documentos comuns brasileiro e italiano.
Segundo seu relato, a notificação ocorreu na segunda-feira seguinte à votação, após uma visita de aproximadamente 30 minutos ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022 para Lula.
“Olhei para o rosto do meu pai e disse: ‘Começou a perseguição’”, relatou.
Flávio afirmou que deixou o país para continuar tendo voz ativa no exterior, alegando que o Brasil vive um “regime de exceção”, com instituições “completamente sequestradas”.
Lula foi reeleito com 52% dos votos, contra 48% de Flávio, uma diferença superior a quatro milhões de votos. O petista, que governará por mais quatro anos, reverteu a vantagem de dois milhões de votos que o adversário havia conquistado no primeiro turno.
Diferentemente da cúpula do PL e do candidato a vice-presidente de sua chapa, Alfredo Gaspar, Flávio não reconheceu a derrota. Desde a divulgação do resultado, pediu a anulação da eleição, anunciou que denunciaria a candidatura de Lula por supostos abusos de poder e, já nos Estados Unidos, publicou uma carta na qual se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, substituiu o documento por outra versão, na qual passou a se apresentar como “líder” do país. A publicação também foi rejeitada por aliados do próprio partido, que afirmaram desconhecer e não aprovar o conteúdo.
Com informações da Notícias ao Minuto








