Uma bolsa com cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo apreendida pela Polícia Federal durante as Operações Ptolomeu IV e Umbra, no Acre, seria ligada ao deputado estadual Fagner Calegário (União Brasil), que disputa a reeleição. A informação foi divulgada pelo site Conexão Acre. Segundo a publicação, o dinheiro teria sido encontrado em um imóvel ligado a pessoas próximas ao parlamentar.
A Polícia Federal confirmou a apreensão de aproximadamente R$ 1 milhão em espécie durante a operação, mas não informou oficialmente a quem pertenciam os valores. A corporação também não relacionou publicamente o nome de Calegário à apreensão em sua comunicação sobre a operação.
Procurada pelo ContilNet, a assessoria do deputado negou que o dinheiro apreendido pertença ao parlamentar e afirmou que ele não tem conhecimento de qualquer participação em eventual repasse de informações sobre ações da Polícia Federal.
“Não tem conhecimento de qualquer valor apreendido que pertença ao parlamentar, tampouco de participação dele em eventual acesso ou repasse indevido de informações sobre ações da Polícia Federal”, informou a assessoria.
A manifestação também questionou a associação do nome e da imagem do deputado à apreensão dos valores. Segundo a defesa, o fato de o dinheiro ter sido encontrado em um imóvel supostamente ligado a pessoas próximas não seria suficiente para estabelecer que os recursos pertencem ao parlamentar ou que ele tenha participado das condutas investigadas.
“A associação do nome e da imagem do deputado à apreensão de valores e a supostas estruturas de repasse de informações exige rigor na apuração e clareza na apresentação dos fatos”, diz outro trecho da nota enviada ao ContilNet.
A assessoria acrescentou que acompanha as publicações e avalia medidas jurídicas para resguardar a honra e a imagem de Calegário, especialmente diante da repercussão do caso durante o período eleitoral.
Veja a nota na íntegra:
A assessoria do deputado estadual Fagner Calegário esclarece, em relação às notícias veiculadas por diferentes meios de comunicação, que não tem conhecimento de qualquer valor apreendido que pertença ao parlamentar, tampouco de participação dele em eventual acesso ou repasse indevido de informações sobre ações da Polícia Federal.
A associação do nome e da imagem do deputado à apreensão de valores e a supostas estruturas de repasse de informações exige rigor na apuração e clareza na apresentação dos fatos. Referências a pessoas supostamente próximas ao parlamentar não demonstram, por si só, que os recursos lhe pertençam ou que ele tenha participado das condutas noticiadas.
A assessoria respeita a liberdade de imprensa e o trabalho das autoridades, mas ressalta a necessidade de distinguir fatos comprovados, informações atribuídas a fontes e hipóteses sob investigação. Essa cautela é essencial para evitar que manchetes, imagens e conteúdos transmitam conclusões que não estejam sustentadas pelos elementos apresentados.
A assessoria jurídica acompanha as publicações e analisa as providências cabíveis para resguardar a honra e a imagem do parlamentar, especialmente diante da repercussão das notícias no período eleitoral. Permanecemos à disposição dos veículos de comunicação para esclarecimentos e solicitamos que esta manifestação seja incorporada às respectivas coberturas.
Operações investigam desvio de recursos e suposta espionagem da PF
As Operações Ptolomeu IV e Umbra foram deflagradas pela Polícia Federal em 21 de setembro e cumpriram 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, além de Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. As ordens judiciais foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Ptolomeu IV é conduzida pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga suspeitas relacionadas aos contratos para construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
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Segundo a CGU, uma auditoria identificou aproximadamente R$ 1,2 milhão em possível superfaturamento decorrente de inexecução parcial. O montante corresponde a serviços que teriam sido medidos e pagos, mas que não teriam sido integralmente realizados.
A investigação também apura indícios de que recursos provenientes dos contratos públicos teriam sido utilizados para despesas particulares e para a concessão de vantagens indevidas a agentes públicos. A movimentação financeira da empresa responsável pela obra também chamou a atenção dos investigadores, com registros de saques expressivos em espécie e outras operações consideradas atípicas pela apuração.
Segunda empresa também é investigada
Outra frente da Ptolomeu IV envolve a empresa contratada posteriormente para concluir a construção da sede do Imac.
De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos durante a investigação indicam uma possível sucessão empresarial e eventual continuidade das práticas investigadas. Também foram identificados vínculos entre pessoas relacionadas à segunda empresa e empresas que já haviam aparecido em fases anteriores da Operação Ptolomeu.
PF investiga possível núcleo para antecipar operações
Já a Operação Umbra tem como foco uma suspeita diferente: a existência de uma estrutura que teria sido montada para obter informações sobre ações da própria Polícia Federal.
A partir de dados coletados em fases anteriores da Ptolomeu, os investigadores identificaram evidências de um possível núcleo de contrainteligência voltado à obtenção de informações sobre operações policiais, deslocamento de equipes e movimentação de viaturas.
Segundo a PF, o objetivo seria antecipar ações policiais e permitir que investigados adotassem medidas para reduzir a efetividade de mandados e outras decisões judiciais.
A investigação aponta ainda para a possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no suposto repasse indevido de informações relacionadas a operações policiais.
Cerca de R$ 1 milhão em espécie e três prisões
Ao todo, os investigadores apreenderam aproximadamente R$ 1 milhão em dinheiro vivo durante o cumprimento dos mandados. A PF informou que os valores foram encontrados com alguns dos investigados, mas não divulgou, na nota oficial, a identidade dos responsáveis pelo dinheiro.
Além das apreensões, três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas de fogo.
O STJ também autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos. Entre as medidas cautelares determinadas estão o afastamento de função pública, a proibição de contato entre investigados, restrições de acesso a determinados órgãos públicos e a proibição de deixar a comarca de residência e o país. Os passaportes deveriam ser entregues à Superintendência da Polícia Federal no Acre em até 24 horas.
Os investigados poderão responder, de acordo com a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação envolvendo organização criminosa.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam, por si só, condenação ou comprovação de responsabilidade criminal dos envolvidos.







