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Antes de morrer, Zuenir marcou história no Acre ao proteger testemunha de Chico Mendes

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Antes de morrer, Zuenir marcou história no Acre ao proteger testemunha de Chico Mendes

A morte de Chico Mendes também marcou uma das histórias mais importantes da trajetória do jornalista e escritor Zuenir Ventura. /Foto: reprodução

A morte de Chico Mendes também marcou uma das histórias mais importantes da trajetória do jornalista e escritor Zuenir Ventura, que morreu aos 95 anos na última terça-feira (22), no Rio de Janeiro. Repórter especial do Jornal do Brasil, ele foi ao Acre após o assassinato do seringueiro e ambientalista e acabou se envolvendo diretamente na proteção de uma das principais testemunhas do crime.

Chico Mendes foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, em Xapuri, no interior do Acre. Semanas depois, Zuenir viajou ao estado para investigar os bastidores do crime. Durante a apuração, conheceu Genésio Ferreira da Silva, então adolescente, que havia presenciado a preparação do assassinato.

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Chico Mendes foi um líder seringueiro do Acre/Foto: Reprodução

Depois de decidir contar à Justiça o que sabia, Genésio passou a ser ameaçado de morte. Ao descobrir que existia um plano para assassinar o jovem, Zuenir assumiu sua tutela e levou o adolescente para morar com sua família no Rio de Janeiro.

A investigação sobre a morte de Chico Mendes rendeu a Zuenir os prêmios Esso e Vladimir Herzog de Jornalismo. A história também foi transformada no livro Chico Mendes – Crime e Castigo, publicado em 2003, no qual o jornalista reuniu detalhes da apuração e dos desdobramentos do caso.

Décadas depois, a trajetória de Genésio e sua relação com Zuenir voltaram a ser contadas pela Amazônia Real. Em 2018, a agência produziu o documentário Genésio – Um Pássaro Sem Rumo, que recupera a história do jovem que testemunhou o assassinato de Chico Mendes e precisou deixar o Acre após colaborar com a Justiça.

A produção também mostra os impactos que a mudança para o Rio de Janeiro provocou na vida de Genésio, desde a adaptação a uma realidade completamente diferente até os acontecimentos que marcaram sua trajetória após deixar o Acre.

A realização do documentário ainda proporcionou um reencontro entre Genésio e Zuenir. Segundo a Amazônia Real, Genésio havia perdido o contato com o jornalista e manifestou o desejo de encontrá-lo novamente. O pedido acabou chegando à equipe responsável pelo filme, que posteriormente levou a história até Zuenir.

O jornalista participou do projeto e recebeu a equipe em sua residência no Rio de Janeiro. O encontro recuperou uma relação iniciada décadas antes, quando Zuenir decidiu proteger o adolescente que havia se tornado uma testemunha fundamental do assassinato de Chico Mendes.

A história fez com que o trabalho de Zuenir ultrapassasse a cobertura jornalística do crime. Sua atuação no caso deixou registros tanto na imprensa quanto na literatura e, posteriormente, no audiovisual, mantendo viva a trajetória de Genésio e um dos episódios mais marcantes da história de Chico Mendes.

Durante a apuração, conheceu Genésio Ferreira da Silva, então adolescente, que havia presenciado a preparação do assassinato./ Foto: Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real

Zuenir Ventura morreu em decorrência de uma pneumonia, segundo a Academia Brasileira de Letras. Ao longo da carreira, também ficou conhecido por livros como 1968 – O Ano que Não Terminou e Cidade Partida, além da atuação como jornalista e escritor.

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