O Poder Judiciário do Acre emitiu um alerta estatístico preocupante e, ao mesmo tempo, necessário neste sábado (2 de maio de 2026). Durante o primeiro trimestre do ano, a Justiça do Acre concedeu mais de 1.200 medidas protetivas de urgência para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. O número reflete a alta demanda pelos mecanismos da Lei Maria da Penha e o esforço das varas especializadas em dar respostas rápidas a situações de risco iminente.
As medidas, que podem incluir desde o afastamento do agressor do lar até a proibição de contato e aproximação, são ferramentas fundamentais para interromper o ciclo da violência. De acordo com o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), a agilidade na concessão — que em muitos casos ocorre em menos de 24 horas — tem sido o diferencial para evitar que agressões verbais ou físicas evoluam para casos de feminicídio.
O Judiciário reforça que a medida protetiva é apenas o primeiro passo. Para que ela seja efetiva, é necessário o acompanhamento da Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, e o engajamento da rede de assistência social para dar suporte psicológico e financeiro às vítimas, que muitas vezes dependem economicamente do agressor.
A visão do Acre Atual: O papel aceita tudo, a vida não
Ver esse recorde de 1,2 mil medidas protetivas neste 2 de maio de 2026 nos traz um sentimento misto. No Acre Atual, avaliamos que há um lado positivo: as mulheres estão denunciando mais, confiando mais na justiça e quebrando o silêncio. No entanto, o número é assustador. Treze mulheres por dia precisando de um juiz para não serem mortas ou espancadas é uma vergonha para a nossa sociedade. O problema é que a medida protetiva, por si só, é um “escudo de papel” se não houver uma viatura na porta ou um monitoramento eletrônico eficiente. O Acre continua sendo um dos estados mais violentos para as mulheres e, enquanto celebrarmos a eficiência do tribunal em dar papel, precisamos cobrar a eficiência do governo em dar segurança real. Papel não para bala nem segura punho de agressor covarde.
Fonte: ac24horas / TJAC
Redigido por Acre Atual







