Episódio ocorreu ao tentar emitir nova carteira estudantil e acessar o Restaurante Universitário em Rio Branco/ Foto: Instagram
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A psicóloga e mestranda em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Dahlia Pagu, publicou um desabafo em suas redes sociais para denunciar episódios recorrentes de desrespeito à sua identidade de gênero nos sistemas institucionais da universidade. Segundo a estudante, dados antigos, incluindo o nome civil anterior à transição (conhecido como “nome morto”) e o sexo biológico, continuam aparecendo em documentos internos e plataformas acadêmicas.
Dahlia relatou que o problema voltou a ocorrer ao tentar emitir a nova carteira de identidade estudantil oferecida pela instituição. Ao acessar o portal do aluno, constatou a exibição de seu nome antigo, e-mail associado ao registro anterior e uma foto tirada ao ingressar na graduação, em 2019.
A mestranda ressalta que já havia apresentado a documentação totalmente retificada — incluindo certidão de nascimento e RG — no momento de sua matrícula no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLI).
“Pelo Estado e pela sociedade, eu sou reconhecida enquanto mulher. O que tenho percebido é uma série de movimentos de muita violência para com pessoas trans que estão na universidade. De nada adianta constar políticas para ingresso se não se consegue dar o básico, que é a dignidade, o respeito ao nome e à existência”, afirmou a estudante no vídeo.
Segundo a mestranda, esta é a segunda vez em que enfrenta constrangimentos semelhantes no ambiente acadêmico. Em uma ocasião anterior, uma listagem oficial enviada por e-mail a toda a sua turma de mestrado exibia seu nome retificado, mas mantinha a indicação do sexo como “masculino”.
Além do portal acadêmico, a divergência de dados reapareceu no sistema de e-ticket do Restaurante Universitário (RU). Ao passar o código de acesso no refeitório, os dados exibidos na tela do sistema reverteram para o registro antigo.
Ao comentar as explicações informais que recebeu sobre o caso — atribuídas ao fato de os sistemas de TI da universidade serem antigos e desintegrados —, Dahlia questionou a falta de atenção humana nos processos operacionais.
“O sistema passa por seres humanos. Não olhar, não se atentar e não corrigir também é um movimento que diz muita coisa para a gente: diz que esse corpo não é importante ou relevante para evitar constrangimentos. Não adianta incluir o sujeito em espaços onde não se garantem os direitos de cidadania, gerando apenas sofrimento. Isso é o conceito de ‘inclusão perversa’”, declarou.
Na legenda da publicação, Dahlia reiterou a necessidade de a universidade ir além das políticas de acesso e implementar medidas efetivas de permanência para a população trans e travesti na pós-graduação.
“Palavras não são apenas palavras. Um nome é memória, história e sentido. Não há desculpa para atos tão violentos disfarçados de burocracia institucional. Calar-se diante da violência é aceitar a sua perpetuação”, escreveu.
Procurada para se posicionar sobre o relato da estudante e as medidas adotadas para a atualização e unificação dos dados nos sistemas acadêmicos, a Reitoria da Ufac ainda não emitiu uma nota oficial até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Com informações da ContilNet






