Mulheres sem renda são maioria entre vítimas de violência doméstica no Acre

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Data marca para o debate e enfrentamento das agressões, da violência psicológica, da perseguição e do feminicídio / Foto: Reprodução

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O Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, marcado neste sábado (10), chama atenção para o enfrentamento das agressões, da violência psicológica, da perseguição e do feminicídio. No Acre, levantamentos de diferentes instituições mostram como essas situações atingem as mulheres e os obstáculos para romper o vínculo com os agressores.

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Os dados apontam maior concentração de registros entre vítimas sem renda, aumento dos casos de perseguição e predominância de maridos ou companheiros como autores das agressões. Também revelam que parte das mulheres permanece vivendo com o agressor, enquanto as forças de segurança ampliam as ações de enfrentamento à violência.

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Feminicídios

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O Acre contabilizou quatro casos de feminicídio em 2026, conforme o levantamento apresentado com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Três registros ocorreram em julho e um em agosto.

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O total representa uma redução de 42,86% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da queda, os registros mostram que a violência contra as mulheres continua resultando em mortes no estado.

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Julho concentrou 75% dos casos contabilizados no levantamento. Os números reforçam a importância do enfrentamento à violência de gênero e da proteção às mulheres em situação de risco, tema destacado pelo Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher.

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Mulheres sem renda

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Entre as vítimas cuja faixa de renda foi informada, mulheres sem rendimento concentram o maior número de registros de violência doméstica no Acre. O painel do Ligue 180 contabiliza 345 registros nessa categoria em 2026.

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Na sequência estão as mulheres com renda superior a meio e até um salário mínimo, com 203 registros, e aquelas que recebem mais de um e até dois salários mínimos, com 167. Entre as vítimas com rendimento de até meio salário mínimo, foram registrados 132 casos.

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Dados do painel do Ligue 180 mostram 345 registros de violência nessa categoria em 2026 — Foto: Reprodução

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Nas faixas de renda mais altas, o painel aponta 54 registros entre mulheres que recebem mais de dois e até cinco salários mínimos e 15 entre aquelas com rendimento superior a cinco e até dez salários mínimos.

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Perseguição e violência psicológica

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O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostra que os registros de perseguição, também conhecida como stalking, aumentaram no Acre entre 2024 e 2025.

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Em 2024, foram contabilizados 240 casos, com taxa de 54,7 ocorrências por 100 mil mulheres. No ano seguinte, o total chegou a 281, e a taxa passou para 63,8 por 100 mil mulheres, uma alta de 16,6%.

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Perseguição (stalking) e Violência Psicológica – vítimas mulheres/Foto: Anuário Brasileiro de Segurança Pública

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Já os registros de violência psicológica diminuíram. Foram 321 casos em 2024, com taxa de 73,1 por 100 mil mulheres, e 306 em 2025, com taxa de 69,4.

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Maridos e companheiros como agressores

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A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, aponta que maridos ou companheiros foram responsáveis pelas agressões em 73% dos casos no Acre. É o maior percentual entre os estados e supera a média nacional, de 62%.

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O levantamento também mostra que 22% das mulheres acreanas que sofreram violência continuam morando com o agressor. O Acre tem o segundo maior percentual do país nesse indicador, atrás apenas de Sergipe, com 23%. A média nacional é de 12%.

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A pesquisa ainda coloca o estado entre aqueles com maior distância entre a violência sofrida e o reconhecimento, pelas vítimas, de que a situação configura violência doméstica ou familiar.

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Operação policial

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A Polícia Civil do Acre informou que registrou 535 prisões em ações de enfrentamento à violência contra a mulher no âmbito da Operação Mulher Segura. O balanço reúne 379 autos de prisão em flagrante e 156 mandados de prisão cumpridos em pouco mais de 100 dias.

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As ações envolvem a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Rio Branco, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Criança e Adolescente (Dempca), em Cruzeiro do Sul, e as demais delegacias do estado.

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A operação, uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, começou em 1º de junho. Segundo a polícia, nos 15 dias anteriores ao balanço, as equipes de reforço operacional cumpriram 20 mandados de prisão no Acre.

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Com informações da ContilNet

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