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Trabalhadores dos Correios fazem ato público em Rio Branco durante greve nacional

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Os trabalhadores dos Correios no Acre aderiram à greve nacional da categoria e realizaram nesta segunda-feira (14) um ato público em frente à sede da empresa, na Avenida Epaminondas Jácome, em Rio Branco, no trecho em frente ao Mercado Velho.

A mobilização é organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Acre (Sintect-Acre), que integra o quadro nacional paredista. Durante o ato, cartazes com os dizeres “Trabalhadores dos Correios, greve nacional por tempo indeterminado” e “Direitos não são negociáveis” foram fixados na fachada da unidade.

A categoria reivindica o fim das demissões, mais investimentos na estrutura da empresa e a garantia de um serviço público de qualidade em todos os municípios brasileiros. Entre as pautas apresentadas pelo sindicato estão a preservação do plano de saúde, a manutenção do adicional de férias, a garantia do pagamento do repouso trabalhado, a preservação do ticket extra da categoria, a manutenção dos empregos e a reposição salarial com valorização dos trabalhadores.

Segundo o Sintect-Acre, a proposta apresentada pela empresa prevê reajuste limitado à inflação, sem aumento real, o que não atenderia às condições enfrentadas pela categoria. O sindicato também se posiciona contra o fechamento de agências, principalmente no interior do estado, e defende que a redução de postos de trabalho pode gerar sobrecarga, demora no atendimento e precarização dos serviços prestados à população.

O sindicato afirma que a paralisação está relacionada à defesa de um Acordo Coletivo de Trabalho que preserve os direitos já conquistados pela categoria.

Para amanhã, terça-feira (15), o Sintect-Acre convocou reforço da adesão à greve, com nova concentração marcada para as 8h, no mesmo endereço, em frente à sede dos Correios na Avenida Epaminondas Jácome.

Nota à imprensa na íntegra:

“Abertura

Os trabalhadores dos Correios de todo o país deflagraram greve por tempo indeterminado em razão da falta de avanços considerados suficientes nas negociações com a empresa. A categoria contesta o atual modelo de reestruturação conduzido pela direção dos Correios e afirma que as medidas anunciadas representam redução da estrutura operacional, com fechamento de agências, diminuição de distritos postais e redução do número de atendentes de postos.

Impactos

Segundo as entidades sindicais, essas medidas provocam sobrecarga de trabalho, precarização das condições laborais e impactos no atendimento à população, especialmente nos municípios do interior e nas localidades onde os Correios são fundamentais para garantir a prestação de serviços postais.

Problemas financeiros não podem ser atribuídos aos trabalhadores

A categoria rejeita qualquer tentativa de responsabilizar os trabalhadores pelos problemas financeiros enfrentados pelos Correios. Os sindicatos argumentam que a situação da empresa está relacionada a questões estruturais de gestão, investimentos, planejamento e modernização, além das características próprias de uma empresa pública que precisa manter uma ampla rede de atendimento em todo o território nacional.

Função social e capilaridade

Os trabalhadores ressaltam que os Correios possuem uma importante função social e precisam estar presentes também em municípios e localidades onde a operação pode apresentar menor retorno financeiro. Para a categoria, não é possível exigir que os Correios mantenham sua capilaridade nacional e, ao mesmo tempo, transferir para a empresa e seus trabalhadores os custos decorrentes dessa função social. Por isso, os sindicatos defendem a participação efetiva do Governo Federal nas discussões sobre o futuro da empresa.

Não é modernização, é redução da estrutura

Os trabalhadores defendem uma modernização efetiva dos Correios, com investimentos em tecnologia, infraestrutura, logística, equipamentos, sistemas operacionais, qualificação profissional, inovação e novos serviços. Na avaliação da categoria, fechar agências, reduzir postos de trabalho, diminuir distritos postais e aumentar a sobrecarga sobre os trabalhadores não pode ser apresentado como modernização.

Os Correios são uma empresa pública

Os sindicatos destacam que os Correios não podem ser tratados como uma empresa privada comum. A empresa possui responsabilidades que vão além da busca pelo lucro e precisa manter uma estrutura capaz de atender a população em todo o território nacional. A categoria defende que o Estado brasileiro reconheça e assuma sua responsabilidade na manutenção e no fortalecimento desse serviço público.

Concorrência em condições desiguais

Os Correios precisam manter uma estrutura nacional e cumprir obrigações legais, trabalhistas e operacionais inerentes à sua condição de empresa pública, enquanto empresas privadas podem concentrar suas operações nos mercados considerados mais rentáveis. Para os sindicatos, não é possível exigir que os Correios cheguem a todos os brasileiros e, simultaneamente, cobrar que a empresa opere exclusivamente sob a lógica do lucro.

Negociação coletiva e defesa de direitos

A greve também está relacionada à negociação do Acordo Coletivo de Trabalho. Entre os principais pontos defendidos pela categoria estão a preservação do plano de saúde, adicional de férias, pagamento do repouso trabalhado, ticket extra, empregos, condições dignas de trabalho e demais direitos conquistados. Os trabalhadores também criticam a proposta econômica apresentada pela empresa, que, segundo as entidades sindicais, prevê um acordo de dois anos com reposição da inflação, sem aumento real de salários.

Diversas tentativas de negociação

As entidades sindicais afirmam que foram realizadas diversas tentativas de diálogo e conciliação antes da deflagração da greve. Apesar disso, segundo a categoria, não houve avanços suficientes para construir um acordo capaz de atender às reivindicações dos trabalhadores e garantir condições adequadas para o futuro da empresa.

A categoria permanece aberta ao diálogo e à negociação, mas defende que qualquer processo de reestruturação dos Correios deve assegurar manutenção dos empregos, preservação dos direitos conquistados, condições dignas de trabalho, manutenção da rede de atendimento, investimentos em tecnologia e modernização, fortalecimento da empresa pública, melhoria das condições operacionais e participação efetiva do Governo Federal nas discussões.

Uma greve em defesa dos Correios

Os trabalhadores deixam claro que a paralisação não é uma luta contra os Correios. É uma mobilização em defesa dos Correios, dos empregos, dos direitos, das melhores condições de trabalho, da população, do atendimento nos municípios do interior e da manutenção da capilaridade postal.

Os trabalhadores não querem menos Correios. Querem Correios mais fortes, modernos, eficientes e valorizados. Querem investimento, planejamento, gestão eficiente, valorização dos trabalhadores e participação efetiva do Governo Federal na construção de uma solução para o futuro da empresa.

A culpa não é dos trabalhadores. A conta da crise não pode ser paga com nossos direitos. Os Correios precisam de investimento, não de sucateamento.

Por Correios públicos, fortes, modernos e para todos.”

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