A brutalidade do feminicídio que chocou São Bernardo do Campo nesta quarta-feira (25) tem um agravante que expõe a falha na proteção à vítima. Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, assassinada a facadas pelo ex-companheiro dentro da joalheria onde trabalhava, havia terminado o relacionamento há 10 meses. Mesmo com medida protetiva em vigor, ela vivia com medo. O caso em que a vendedora morta pelo ex havia terminado o relacionamento há 10 meses e ainda assim foi vítima de um crime premeditado acende um alerta sobre a eficácia das medidas de proteção.
Histórico de Violência e Medida Protetiva Ignorada
De acordo com a Polícia Civil, o relacionamento de Cibelle com Cassio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, durou seis anos, marcado por idas e vindas, e terminou em abril do ano passado. Desde então, a vendedora vivia com medo porque Cassio descumpria com frequência a medida protetiva que ela havia conseguido na Justiça. Ele a perseguia e mantinha contato por redes sociais, desrespeitando a ordem judicial de afastamento.
Cibelle registrou três boletins de ocorrência (BOs) por violência doméstica contra o ex-companheiro, que eram investigados pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Bernardo do Campo. Apesar de todos os registros e da medida protetiva, a tragédia se consumou. Cassio premeditou o crime e foi até o shopping Golden Square, onde ela trabalhava como vendedora na joalheria Vivara, para atacá-la. A informação é que a vitíma ainda sofria com o descumprimento da medida evidencia o ciclo de violência que antecedeu o feminicídio.
O Crime e a Reação Policial
Cassio golpeou Cibelle no pescoço com uma faca, dentro da loja. Um policial civil que estava no shopping para fazer compras flagrou o momento em que o agressor entrava na joalheria e, inicialmente, pensou tratar-se de um assalto. Ao pedir apoio e se aproximar, viu a vítima caída atrás do balcão e percebeu a gravidade da situação.
Policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) de São Bernardo do Campo, Diadema e Santo André foram acionados e iniciaram as negociações para que o acusado se rendesse. Após um período, Cassio atentou contra a própria vida com uma arma de airsoft e foi atingido por disparos dos policiais. Ele foi socorrido e passou por cirurgia no Hospital Mario Covas, não correndo risco de morte. O shopping e a joalheria Vivara emitiram notas lamentando o ocorrido e prestando solidariedade à família. O caso é mais um doloroso exemplo de como o feminicídio muitas vezes é a etapa final de um histórico de violência que não foi interrompido a tempo.
Fonte: Metrópoles
Redigido por Acre Atual







