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Uso de lenha e carvão para cozinhar cai no Acre, mas ainda atinge 17% da população, acima da média nacional

Pesquisa com base na PNADC mostra avanço na transição energética nos lares acreanos, com queda expressiva desde 1990, quando o índice era de 58,8%.
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Lenha Cozinha
Foto: Internet

Apesar dos avanços significativos nas últimas décadas, cozinhar com lenha ou carvão ainda é uma realidade para uma parcela considerável da população acreana. Dados compilados pelo projeto Brasil em Mapas, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do IBGE, mostram que o uso de lenha e carvão para cozinhar no Acre atingiu 17% dos domicílios em 2025. O índice é superior à média nacional, que está em 14,5%.

Uma Queda Histórica, Mas Desigualdades Persistem

A boa notícia é que o número representa uma queda expressiva em relação ao passado. Em 1990, a dependência da biomassa para cozinhar no estado era de 58,8%, um patamar muito superior. Naquela época, a média nacional era de 48%. A redução foi impulsionada, principalmente, pela popularização e pelo acesso ao gás de cozinha (GLP) nas últimas décadas, um fenômeno de transição energética que transformou os lares brasileiros.

No entanto, a realidade que mostra o uso de lenha e carvão para cozinhar no Acre ainda em 17% dos lares escancara desigualdades regionais e sociais. Em todo o país, cerca de 11 milhões de domicílios ainda dependem exclusivamente da biomassa para preparar alimentos. Entre as famílias de baixa renda, esse percentual sobe para alarmantes 25%. A região Norte, junto com o Sul, apresenta os índices mais elevados do país, influenciada tanto por questões econômicas quanto por fatores culturais e de acesso a outras fontes de energia.

Impactos na Saúde e na Qualidade de Vida

O uso de lenha e carvão em fogões tradicionais não é apenas uma questão de conforto ou modernidade. Está diretamente ligado à saúde pública. A exposição à fumaça em ambientes domésticos pode gerar níveis de poluição entre 20 e 40 vezes superiores aos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso afeta de forma desproporcional mulheres e crianças, que, culturalmente, passam mais tempo próximas aos fogões e são as principais vítimas de doenças respiratórias causadas pela inalação da fumaça.

De acordo com um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), cerca de 90% da lenha consumida em áreas rurais é coletada sem custo. Esse dado reforça a relação direta entre a renda baixa e a dependência desse combustível. Para muitas famílias, especialmente em regiões mais isoladas do Acre, a lenha não é uma escolha, mas a única opção disponível ou acessível financeiramente. A redução do uso de lenha e carvão para cozinhar no Acre e no país, portanto, depende não apenas da expansão da rede de distribuição de gás, mas de políticas públicas que garantam renda e acesso à energia limpa para as populações mais vulneráveis.

Fonte: Ac24horas

Redigido por Acre Atual

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