Uma nova fronteira da medicina estética tem gerado tanto entusiasmo quanto preocupação entre profissionais de saúde. Nos Estados Unidos, uma técnica que utiliza gordura humana proveniente de doadores falecidos para preenchimentos corporais vem ganhando popularidade. No entanto, a prática, que pode custar até meio milhão de reais, acendeu um alerta em entidades médicas brasileiras. A informação de que o uso de gordura de cadáver em procedimentos estéticos preocupa médicos levanta questões cruciais sobre segurança e ética.
Como Funciona a Técnica e Seus Custos
O procedimento em questão utiliza um produto chamado AlloClae, desenvolvido pela empresa Tiger Aesthetics. O material é processado e esterilizado a partir de gordura humana doada, sendo então aplicado como preenchedor para aumento de glúteos, seios e outras regiões do corpo. A principal vantagem apontada pelas clínicas que oferecem o serviço é a de ser uma alternativa menos invasiva, que evita a necessidade de retirada de gordura do próprio paciente (como no enxerto autólogo) e promete uma recuperação mais rápida.
Apesar de ainda carecer de validação científica robusta, a procura pelo procedimento é crescente nos EUA. Os valores são altos, variando de US$ 10 mil a US$ 100 mil, o que equivale a aproximadamente R$ 52 mil a mais de R$ 520 mil. A técnica é apresentada como uma solução prática para quem busca contorno corporal sem recorrer à cirurgia tradicional. No entanto, é justamente essa falta de comprovação que faz com que o uso de gordura de cadáver em procedimentos estéticos preocupa médicos e entidades reguladoras.
Alerta do Cremesp e Riscos Envolvidos
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) emitiu uma nota pública sobre o tema. A entidade foi enfática ao destacar que “não existem estudos clínicos robustos que comprovem a segurança e eficácia do procedimento”. A ausência de pesquisas científicas sólidas impede que a técnica seja considerada segura e eficaz para uso amplo na medicina estética.
Além da falta de validação, o Cremesp apontou uma série de riscos potenciais associados ao uso desse material. Entre as possíveis complicações estão reações inflamatórias severas, formação de nódulos dolorosos, infecções graves e até mesmo embolização (obstrução de um vaso sanguíneo), que pode levar a complicações fatais. O conselho também lembrou que o Código de Ética Médica proíbe a divulgação sensacionalista de tratamentos ou a promessa de resultados sem comprovação científica, e que procedimentos experimentais devem permanecer restritos ao âmbito da pesquisa. A preocupação com o uso de gordura de cadáver em procedimentos estéticos preocupa médicos justamente por colocar pacientes em risco sem o respaldo da ciência.
Fonte: Metrópoles
Redigido por Acre Atual







