Acre Atual

Telescópio no Chile obtém imagem inédita de região extrema no centro da Via Láctea

Radiotelescópio Alma capturou, com riqueza de detalhes, a Zona Molecular Central, área de formação de estrelas massivas.
Compartilhar
imagem-da-zona-molecula-central
ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Longmore et al. Imagem de fundo: ESO/D. Minniti et al.

A imensidão do universo nunca esteve tão perto de ser desvendada, pelo menos no que diz respeito à nossa própria galáxia. Um grupo de astrônomos conseguiu um feito inédito ao capturar uma imagem de altíssima resolução de uma das regiões mais extremas e enigmáticas da Via Láctea. O registro foi obtido pelo radiotelescópio Alma, localizado no deserto do Atacama, no Chile. A conquista em que um telescópio obtém imagem inédita de região extrema da Via Láctea promete revolucionar o estudo da formação estelar.

A Região Alvo e a Tecnologia Envolvida

O local fotografado é a chamada Zona Molecular Central (ZMC), uma área que fica a mais de 650 anos-luz da Terra, no coração da nossa galáxia. Trata-se de um ambiente extremamente caótico e denso, repleto de nuvens de gás e poeira, e que orbita nas proximidades do buraco negro supermassivo Sagittarius A*. Justamente essa concentração de material torna a região muito difícil de ser observada em detalhes.

As imagens foram obtidas como parte do programa Alma Central Molecular Zone Exploration Survey (Aces). Pela primeira vez, o Alma conseguiu compor um mosaico de tamanha escala, combinando vários registros individuais para formar uma imagem completa da ZMC. “Previmos um alto nível de detalhe ao projetar o levantamento, mas ficamos genuinamente surpresos com a complexidade e a riqueza reveladas no mosaico final”, afirmou Katharina Immer, astrônoma do Alma no ESO e componente do projeto Aces.

O que a Imagem Revela e sua Importância

A nova imagem, que resultou em cinco artigos publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, revela com detalhes sem precedentes o gás molecular frio presente na ZMC. Esse gás é a matéria-prima fundamental para a formação de estrelas. A teoria atual sugere que o gás frio flui por filamentos, alimentando aglomerados de matéria até que uma estrela se forme. No entanto, a ZMC é especial por ser um dos ambientes de formação estelar mais extremos da galáxia.

Segundo o líder do Aces, Steve Longmore, da Universidade Liverpool John Moores, a ZMC abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas, que têm vida curta e morrem em poderosas explosões de supernovas. “Acreditamos que a região compartilha muitas características com as galáxias do universo primitivo, onde as estrelas se formavam em ambientes caóticos e extremos”, explicou. Além disso, a imagem possibilitou ver mais detalhes da química local, detectando moléculas simples como monóxido de silício e complexas como metanol, acetona e etanol. A descoberta abre uma nova janela para a compreensão de como as estrelas, e até mesmo as galáxias, evoluíram desde os primórdios do cosmos.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

Rolar para cima