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Tadalafila: por que o uso recreativo pode ser tão perigoso à saúde

Conhecida como "tadala", a tadalafila, medicamento indicado para disfunção erétil, tem sido usada de forma recreativa por jovens no Brasil, sem prescrição médica. Especialistas alertam que a prática não traz benefícios comprovados e pode causar graves efeitos colaterais, como taquicardia, alteração da pressão arterial, priapismo e até risco de infarto. O uso também pode levar à dependência psicológica, mascarando problemas emocionais e de relacionamento.
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O que deveria ser um medicamento de uso controlado e sob prescrição médica virou moda perigosa entre os jovens brasileiros. A tadalafila, conhecida popularmente como “tadala” e indicada para tratar a disfunção erétil em homens geralmente acima dos 40 anos, está sendo consumida de forma recreativa por uma parcela mais jovem da população, que busca nela uma solução milagrosa para o desempenho sexual ou até mesmo como um suposto pré-treino para ganhos musculares. Especialistas e sociedades médicas, no entanto, fazem um alerta: a prática não tem respaldo científico e oferece sérios riscos à saúde.

O que diz a ciência

A tadalafila pertence a uma classe de medicamentos chamada inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iF5), que também inclui a vardenafila e a sildenafila (o Viagra). Eles agem relaxando os tecidos penianos e aumentando o fluxo arterial, gerando ereções mais rígidas em homens com disfunção erétil orgânica. Em indivíduos sem qualquer problema fisiológico, porém, não há ganho real. O medicamento não aumenta o tempo de ereção, não amplia o tempo de coito e não deixa o pênis maior ou mais grosso. A sensação de “inchaço” ou “pump” relatada por alguns usuários, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), é provavelmente um efeito placebo ou uma vasodilatação periférica transitória, sem qualquer benefício funcional comprovado.

Riscos à saúde física e mental

Os perigos do uso recreativo da tadalafila são múltiplos. Os efeitos colaterais mais comuns decorrem da vasodilatação sistêmica, como rubor facial e congestão nasal. No entanto, o uso abusivo pode levar a complicações graves, como taquicardia, alterações perigosas da pressão arterial, desmaios, perda temporária de visão ou audição e, em casos extremos, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte súbita. Outro risco é o priapismo, uma ereção dolorosa e persistente que pode causar danos permanentes ao pênis. Além dos riscos físicos, há o perigo da dependência psicológica. Acreditar que o comprimido é a única forma de ter uma boa relação sexual pode mascarar problemas como ansiedade, insegurança e dificuldades de relacionamento, criando uma “bengala psicológica” que impede o indivíduo de lidar com suas emoções.

Automedicação e alerta

Estudos mostram que mais da metade dos jovens que consomem esses medicamentos o fazem sem qualquer prescrição ou acompanhamento médico. A situação é agravada pela venda de formulações irregulares na internet, como gomas e suplementos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que podem conter contaminações e doses imprevisíveis. Especialistas ouvidos pela reportagem são unânimes: o combate a essa prática passa pela conscientização e pela educação. “Não se utiliza um antibiótico antes de chegar a um diagnóstico. O mesmo precisa ocorrer com a tadalafila. Ela só pode ser adotada mediante indicação médica”, alerta o farmacêutico-bioquímico Gustavo Alves Andrade dos Santos. Um episódio isolado de falha na ereção é normal e não justifica o uso sistemático do medicamento. Se isso ocorrer com frequência, a orientação é procurar um médico especialista para investigar as causas e definir o tratamento adequado.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

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