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Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump contra Brasil, México e Canadá em decisão histórica

Por 6 votos a 3, corte máxima dos EUA considerou ilegais as tarifas amplas impostas por Trump com base em lei de emergência. Decisão pode beneficiar o Brasil e obrigar devolução de bilhões de dólares.
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Presidente dos Estados Unidos
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • 22/11/2025 REUTERS/Aaron Schwartz

Em uma decisão com impactos diretos para a economia global e para o Brasil, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegal, nesta sexta-feira (20), parte do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump. Por seis votos a três, os ministros entenderam que a lei usada pela Casa Branca para sobretaxar produtos de diversos países, incluindo o Brasil, não autoriza o chefe do Executivo a impor tarifas de forma tão ampla. A Suprema Corte dos EUA derruba tarifas de Trump numa derrota significativa para o governo americano.

O Fundamento Legal da Decisão

O cerne do julgamento estava na interpretação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. O governo Trump utilizou esse dispositivo, criado para situações de emergência nacional, para justificar a imposição de tarifas generalizadas a parceiros comerciais. No entanto, a maioria da Suprema Corte entendeu que, embora a IEEPA permita ao presidente regular transações econômicas em emergências, ela não delega de forma clara a autoridade para criar tarifas de alcance amplo, valor e duração ilimitados.

A corte ressaltou que a Constituição dos EUA atribui ao Congresso, e não ao presidente, a competência para “instituir e arrecadar impostos, taxas, tributos e impostos de consumo”. Com esse entendimento, a Suprema Corte dos EUA derruba tarifas de Trump por entender que o Executivo excedeu sua autorização legal, confirmando decisões anteriores do Tribunal de Comércio Internacional e do Tribunal de Apelações.

Impactos para o Brasil e a Economia Global

A decisão representa um alívio para países como Brasil, México e Canadá, que estavam entre os alvos das sobretaxas americanas. O governo dos EUA não divulga dados detalhados de arrecadação desde dezembro, mas estimativas de economistas do Penn-Wharton Budget Model indicam que o valor arrecadado com as tarifas baseadas na IEEPA pode ultrapassar US$ 175 bilhões.

Embora o julgamento não determine automaticamente a devolução dos valores pagos, votos divergentes entre os ministros apontam que os Estados Unidos podem ser “obrigados a reembolsar bilhões de dólares a importadores que pagaram as tarifas”. Isso deve abrir uma nova rodada de disputas judiciais. Para o Brasil, que tem relações comerciais significativas com os EUA, a decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar as tarifas de Trump abre caminho para a retomada de fluxos de exportação mais previsíveis e menos onerados.

O que Muda com a Decisão?

É importante destacar que o julgamento não afeta, em tese, outras bases legais que autorizam o presidente americano a impor tarifas, como dispositivos específicos da legislação comercial. No entanto, a decisão estabelece um precedente crucial: o presidente não pode usar uma lei de emergência para contornar o Congresso e impor uma política tarifária de larga escala sem respaldo legislativo claro.

Ao decidir que “a IEEPA não autoriza o Presidente a impor tarifas“, a Suprema Corte reafirmou a separação de poderes e impôs limites à discricionariedade do Executivo em matéria de comércio exterior. Para empresas e governos de todo o mundo, a decisão traz mais segurança jurídica, ao evitar que mudanças bruscas e unilaterais nas regras de importação dos EUA ocorram sem o devido processo legal.

Fonte: UOL Economia

Redigido por Acre Atual

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