Levantamento também aponta uma piora em relação à legislatura que termina em 2026 — Foto: Fabíola Sinimbú /Agência Brasil
Sete em cada dez parlamentares eleitos têm baixa adesão à agenda ambiental
Análise do Observatório do Clima aponta que 68,9% dos deputados e senadores da próxima legislatura têm alinhamento baixo ou muito baixo à pauta ambiental
A próxima composição do Congresso Nacional terá maioria de parlamentares com baixo ou muito baixo alinhamento às pautas ambientais e climáticas, segundo uma análise do Observatório do Clima. O levantamento aponta que 68,9% dos deputados e senadores eleitos para a 58ª Legislatura, que começa em 2027, estão nessas duas faixas de convergência ambiental.
O estudo considera o chamado índice de convergência ambiental, que avalia o posicionamento e as votações dos congressistas em relação a temas ligados ao clima e ao meio ambiente.
Dos 594 parlamentares analisados nas duas Casas, 201 (33,8%) foram classificados na faixa de convergência muito baixa, enquanto outros 208 (35%) ficaram na faixa baixa.
Já entre os parlamentares considerados alinhados às pautas ambientais, 52 (8,75%) aparecem na faixa boa e 133 (22,4%) na faixa muito boa.
A classificação utilizada pelo estudo divide os parlamentares em quatro níveis: muito baixa, para índices de 0% a 25%; baixa, de 26% a 50%; boa, de 51% a 69%; e muito boa, de 70% a 100%.
Senado terá maior distanciamento
No Senado, o cenário é ainda mais desfavorável à agenda ambiental. 64 dos 81 senadores eleitos, ou 79%, estão nas faixas de convergência baixa ou muito baixa.
Apenas 17 senadores (21%) foram classificados nas faixas consideradas alinhadas às pautas ambientais. Desse total, 12 (14,8%) estão na faixa boa e cinco (6,1%) na muito boa.
O levantamento também aponta uma piora em relação à legislatura que termina em 2026. O número de senadores classificados com baixa ou muito baixa convergência ambiental passou de 58 (71,6%) para 64 (79%).
Câmara terá 345 deputados nas faixas mais baixas
Na Câmara dos Deputados, 345 dos 513 parlamentares eleitos (67,3%) estão nas faixas de convergência baixa ou muito baixa.
Outros 40 deputados (7,8%) foram classificados na faixa boa e 128 (25%) na faixa muito boa.
Segundo o Observatório do Clima, a mudança está relacionada, entre outros fatores, ao crescimento de partidos de direita e extrema direita na composição das duas Casas, grupos que, de acordo com a análise, historicamente apresentam menor convergência com a pauta ambiental.
O Partido Liberal (PL) é citado como exemplo. A legenda passou de 15 para 28 cadeiras no Senado e de 98 para 121 deputados federais na Câmara.
Risco de retrocessos
Para a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, o resultado representa um cenário de preocupação para a política ambiental brasileira.
Ela avalia que a nova composição pode colocar em risco medidas de proteção ambiental e abrir espaço para mudanças como o enfraquecimento da atuação dos órgãos de fiscalização, anistia a grileiros e redução da proteção de florestas e outros biomas.
“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática”, afirmou Suely.
Como o índice é calculado
A análise utiliza o índice de convergência ambiental, elaborado a partir da avaliação da atuação e dos votos dos parlamentares em temas relacionados a clima e meio ambiente.
Além da plataforma Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, foram utilizadas informações de fontes oficiais, como Câmara dos Deputados, Senado, assembleias legislativas e governos estaduais.
O levantamento também considerou parlamentares eleitos que ainda não tinham classificação no índice, utilizando os dados disponíveis para estabelecer a avaliação da próxima composição do Congresso.
A 58ª Legislatura terá início em 2027 e seguirá até 2031.
Conteúdo Original / Fonte: Agência Brasil
Com informações da ContilNet







