O salário médio pago aos trabalhadores brasileiros alcançou um novo patamar histórico. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio habitual no trimestre encerrado em janeiro de 2026 foi de R$ 3.652. O valor é o maior desde o início da série histórica, em 2012, superando o recorde anterior registrado em dezembro do ano passado (R$ 3.623).
Crescimento expressivo em um ano
O salário médio dos brasileiros apresentou um aumento significativo tanto na comparação trimestral quanto na anual. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 2,8%. Já na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento chegou a 5,4%, quando o rendimento médio era de R$ 3.466. Esse avanço reflete um aquecimento no mercado de trabalho e uma valorização da renda do trabalhador em diversos setores da economia.
Setores que puxaram a alta
A pesquisa do IBGE detalha quais atividades econômicas mais contribuíram para o aumento do salário médio. O destaque ficou com o setor de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, onde os rendimentos cresceram 9% (um acréscimo de R$ 192) em um ano. Em seguida, aparecem a construção civil, com alta de 5,9% (mais R$ 157), e os segmentos de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que registraram aumento de 5,4% (mais R$ 263). Os salários de serviços domésticos e da administração pública também subiram, respectivamente, 4,7% e 3,9%.
Trabalhadores por conta própria na liderança
Quando a análise é feita por tipo de ocupação, os trabalhadores por conta própria foram os que tiveram o maior crescimento na remuneração: 7,8% (um acréscimo de R$ 222) entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Os empregadores também tiveram ganho expressivo, com alta de 7,4% (mais R$ 624). Outras categorias que registraram aumento no salário foram os trabalhadores com carteira assinada (2,8%), os informais (6,4%), os domésticos (4,7%) e os empregados do setor público (4,3%).
Massa de rendimentos também bate recorde
Com a alta dos rendimentos individuais, a massa de rendimento real, que é a soma de todos os salários pagos no país, também atingiu um novo recorde, chegando a R$ 370,3 bilhões. Esse valor representa um crescimento de 7,3% (mais R$ 25,1 bilhões) em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e um aumento de 2,9% (mais R$ 10,5 bilhões) frente ao trimestre móvel anterior.
Impacto nos juros e alerta do Banco Central
Apesar de ser uma excelente notícia para os trabalhadores, o recorde do salário médio acende um sinal de alerta no Banco Central (BC). O aumento da renda estimula o consumo, o que pode gerar pressões inflacionárias. Em um cenário de juros elevados (a Selic está em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006), o BC monitora de perto a evolução dos rendimentos. Economistas consultados avaliam que o dado já estava, em parte, precificado pelo mercado, mas reforça o ambiente de cautela para a política monetária. A autoridade monetária, em sua última ata, já havia destacado a necessidade de analisar com cuidado a evolução do mercado de trabalho e dos salários para calibrar a taxa de juros e garantir a convergência da inflação para a meta. A expectativa é que a Selic só volte a ficar abaixo de dois dígitos em 2028, o que ilustra o desafio do BC em equilibrar o crescimento da renda com o controle dos preços.
Fonte: UOL Economia
Redigido por Acre Atual







