Enquanto as principais capitais do mundo investem pesado em transporte sustentável, Rio Branco parece estar seguindo o caminho inverso. Dados divulgados neste domingo (3 de maio de 2026) revelam que a quilometragem total de ciclovias e ciclofaixas na capital acreana diminuiu nos últimos nove anos. O que antes era uma marca registrada da cidade — a integração da bicicleta ao cotidiano — está perdendo espaço para o asfalto voltado exclusivamente aos veículos motorizados.
O levantamento aponta que trechos importantes de ciclovias foram suprimidos durante reformas viárias ou simplesmente desapareceram por falta de manutenção e nova sinalização. A ausência de continuidade entre as faixas existentes torna o trajeto perigoso para os ciclistas, que muitas vezes são obrigados a dividir o espaço diretamente com carros e ônibus em vias de alta velocidade.
A Invasão do Automóvel e o Descaso com o Ciclista
Especialistas em urbanismo afirmam que a redução da malha cicloviária não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de escolha política. Nos últimos anos, as prioridades de engenharia de trânsito na capital focaram no alargamento de pistas e na criação de faixas de rolamento para aliviar o congestionamento de veículos, sacrificando o espaço que era destinado aos usuários de bicicleta. Sem a proteção das ciclofaixas, muitos trabalhadores que utilizavam o modal como meio de transporte principal estão abandonando a prática por medo de acidentes.
| Ponto de Análise | Situação Atual (2026) | Consequência Direta |
|---|---|---|
| Conectividade | Trechos fragmentados e isolados. | Ciclistas expostos no fluxo de carros. |
| Conservação | Sinalização apagada e falta de tachões. | Invasão frequente de motocicletas. |
| Prioridade Viária | Foco total no fluxo de veículos motorizados. | Desestímulo ao transporte sustentável. |
Além da redução física, a segurança pública também é um fator de desestimulo. Ciclovias mal iluminadas e sem patrulhamento tornam-se locais propícios para roubos e furtos, afastando ainda mais o cidadão do lazer e do transporte limpo.
A visão do Acre Atual: A cidade das bicicletas virou a cidade do engarrafamento
Ver que Rio Branco reduziu sua malha cicloviária neste 3 de maio de 2026 é de dar tristeza. No Acre Atual, avaliamos que estamos jogando fora um legado histórico. Já fomos referência nacional em mobilidade por bicicletas, mas parece que as gestões recentes decidiram que o futuro é apenas ferro e borracha queimando combustível caro. Apagar ciclofaixa para abrir espaço para mais carro é como tentar resolver a obesidade folgando o cinto: só aumenta o problema. O ciclista acreano, aquele trabalhador que sai do Segundo Distrito para o Centro ou vai pela Via Chico Mendes, está sendo empurrado para a beira do abismo. Uma capital moderna se mede pela quantidade de gente que se sente segura fora de um carro, e Rio Branco, infelizmente, está ficando cada vez menor nesse ranking.
Fonte: ac24horas / Redação Acre Atual
Redigido por Acre Atual







