A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, neste domingo (22) durante uma operação das Forças Armadas do México em Jalisco, encerra a trajetória de um dos criminosos mais procurados e poderosos do mundo. Líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), sua história é marcada por uma ascensão meteórica no crime, desde suas origens humildes até se tornar o inimigo público número um dos Estados Unidos. A pergunta que muitos se fazem é: quem era El Mencho narcotraficante morto no México? A resposta revela uma vida inteira dedicada ao tráfico e à violência.
Origens e Primeiros Passos no Crime
Nemesio Oseguera Cervantes nasceu em 17 de julho de 1966, em Aguililla, um município rural do estado de Michoacán, no oeste do México. Diferente de outros chefões do narcotráfico que ostentavam um estilo de vida nababesco, El Mencho construiu sua lenda nos bastidores, longe dos holofotes. Sua entrada no mundo do crime remonta à década de 1990, quando emigrou para os Estados Unidos. Lá, foi preso e condenado pela Justiça federal da Califórnia em 1994 a três anos de prisão por conspiração para distribuir heroína.
Após cumprir a pena, El Mencho retornou ao México. Inicialmente, trabalhou como policial nos municípios de Cabo Corrientes e Tomatlán, em Jalisco, uma experiência que lhe deu conhecimento sobre as táticas e os procedimentos das forças de segurança. Mais tarde, deixou a corporação para se dedicar integralmente ao crime, juntando-se ao Cartel do Milênio, onde atuou como sicário na segurança de Armando Valencia Cornelio, o “El Maradona”.
A Ascensão do Cartel Jalisco Nueva Generación
A grande virada na história ocorreu com a fragmentação do Cartel do Milênio. Ele se aliou a Ignacio Coronel Villarreal, o “Nacho Coronel”, um dos chefes do Cartel de Sinaloa. Com Nacho Coronel, El Mencho supervisionava o tráfico de drogas, administrava recursos e liderava o braço armado nos estados de Jalisco e Colima. Quando Nacho Coronel foi morto em 2010, e outros líderes do Cartel do Milênio foram presos, a organização se fragmentou em duas facções: Los Torcidos e La Resistencia.
El Mencho assumiu o comando de Los Torcidos, que rapidamente se consolidou como o Cartel Jalisco Nueva Generación. Sob sua liderança implacável, o CJNG não apenas sobreviveu, mas expandiu seu domínio de forma agressiva, derrotando rivais como os Zetas e os Cavaleiros Templários. O cartel tomou o controle de territórios e rotas de tráfico, tornando-se a organização criminosa de crescimento mais rápido no México, com presença em mais de 20 estados e uma vasta operação internacional. Em agosto de 2012, El Mencho escapou por pouco de uma grande operação em Guadalajara, quando seus homens ergueram barricadas e incendiaram veículos para cobrir sua fuga.
O Inimigo Mais Procurado
O poder e a violência do CJNG fizeram de El Mencho o alvo número um das agências de segurança. A Drug Enforcement Administration (DEA) dos EUA chegou a oferecer uma recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 75 milhões) por informações que levassem à sua captura. Diferente de Joaquín “El Chapo” Guzmán, que ostentava sua riqueza, El Mencho cultivava o anonimato e a desconfiança, o que o tornava ainda mais difícil de ser localizado.
O perfil de El Mencho narcotraficante morto no México era o de um estrategista brutal, responsável por introduzir novas táticas de guerra, como o uso de drones e explosivos contra as forças de segurança. Sua morte em Tapalpa, Jalisco, durante um confronto com o Exército, com apoio de inteligência americana, representa o fim de uma era, mas deixa um imenso vácuo de poder e a incerteza sobre os rumos da violenta guerra entre cartéis que assola o México.
Fonte: Metrópoles
Redigido por Acre Atual







