Em um discurso carregado de simbolismo e tensão, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltou a brandir o poderio nuclear de seu país como uma arma de dissuasão e ameaça. Nesta terça-feira (24), data que marca o quarto aniversário do início da invasão em larga escala da Ucrânia, Putin dirigiu-se ao Serviço Federal de Segurança (FSB) e fez declarações duras contra os adversários do Kremlin. O momento em que Putin alerta rivais sobre possível ataque nuclear eleva a retórica do conflito a um novo patamar de perigo.
As Declarações do Líder Russo
Durante seu pronunciamento, Putin foi enfático ao afirmar que os inimigos da Rússia não conseguirão derrotá-la, mas que continuarão tentando. “Eles não conseguem infligir uma derrota estratégica à Rússia. Simplesmente não é possível. E, no entanto, desejam isso desesperadamente. Precisam derrotar a Rússia a todo custo”, disse o presidente. A frase mais impactante veio em seguida, como uma clara advertência: “Vão se esforçar ao extremo e depois se arrependerão”.
A fala de Putin não é explícita, mas o contexto e o público (a agência sucessora da KGB) deixam claro que a referência ao poderio atômico é uma carta na mesa. A declaração ocorre em meio a informações do Serviço de Inteligência Externa (SVR) russo, que afirma haver preocupações sobre uma possível transferência de tecnologia de armas nucleares para a Ucrânia por parte de potências ocidentais.
Contexto de Guerra e Poder Nuclear
A declaração de Putin acontece exatamente quatro anos após o início da guerra, que o Kremlin esperava ser uma operação relâmpago de cerca de 10 dias. Hoje, o conflito se arrasta, com a Rússia controlando cerca de 20% do território ucraniano, mas longe de uma vitória decisiva. É nesse contexto de impasse que a Rússia, detentora do maior arsenal nuclear do mundo — com cerca de 5.580 ogivas, das quais 1.710 estão prontas para uso imediato, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) —, utiliza sua capacidade atômica como ferramenta de intimidação.
No início de fevereiro, Moscou já havia dado um passo nessa direção ao considerar encerradas todas as obrigações previstas no tratado New START, o último grande acordo de controle de armas nucleares firmado com os Estados Unidos. A fala em que Putin alerta rivais sobre possível ataque nuclear reforça a posição russa de que o Ocidente não deve subestimar sua determinação, num momento em que a guerra na Ucrânia completa quatro anos sem solução à vista.
Fonte: Metrópoles
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