Perícia do Instituto de Criminalística concluiu ser impossível a policial Gisele Alves Santana ter atirado em si mesma/ Foto: Reprodução
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O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto presta depoimento presencial à Justiça a partir das 13h desta segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. Ele é réu sob acusação de ter assassinado a esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, e de ter alterado a cena do crime.
A audiência ocorre após a juntada ao processo de um novo parecer do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, anexado aos autos na última sexta-feira (2). O documento, assinado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone, reafirmou a impossibilidade de a vítima ter tirado a própria vida e apontou para a participação de uma segunda pessoa na ação que resultou na morte da PM.
A análise pericial atendeu a questionamentos formulados pela própria defesa do acusado. O oficial será interrogado sobre as conclusões das análises técnicas e o conjunto das acusações.
Preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Romão Gomes, na zona norte paulistana, Rosa Neto afirma que a mulher cometeu suicídio no apartamento do casal, no Brás, região central, em 18 de fevereiro, após ele comunicar o interesse em terminar o relacionamento. A investigação apurou que apenas os dois estavam no imóvel no momento do disparo de arma de fogo na cabeça que causou a morte de Gisele.
Segundo os testes e simulações executados pela perícia, a posição em que o corpo de Gisele foi localizado contesta a versão apresentada pelo marido. Os peritos constataram que a arma utilizada no crime costumava ser guardada sobre um armário de cerca de dois metros de altura — ponto fora do alcance da vítima, que tinha 1,65 metro.
O laudo indicou ainda que, a partir do interior do box do banheiro, local onde o réu sustentava estar tomando banho no instante do disparo, não havia visibilidade para enxergar a vítima caída. O sentido do escorrimento de sangue no corpo de Gisele também se mostrou incompatível com a tese de ato praticado contra a própria vida.
A decisão de pronunciar o militar ao Tribunal do Júri já foi proferida, restando definir a data do julgamento popular. Paralelamente à ação criminal, Rosa Neto responde a processo administrativo no Conselho de Justificação da PM, instaurado em 31 de março por determinação do secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
O conselho é composto por três oficiais mais antigos que o réu para avaliar a capacidade moral e profissional de sua permanência na corporação. Caso o colegiado conclua pela demissão, o parecer seguirá para julgamento no Tribunal de Justiça Militar (TJM). Caberá ao governador Tarcísio de Freitas a eventual sanção final do ato de exoneração.
Após o decreto da prisão preventiva, o oficial solicitou a transferência para a reserva remunerada, medida publicada no Diário Oficial em 2 de abril. Com 30 anos de serviço na corporação, o militar havia preenchido os requisitos para a aposentadoria em 2016.
Com informações da ContilNet







