A tensão na fronteira entre Paquistão e Afeganistão atingiu um ponto de ebulição. Após lançar uma série de ataques aéreos contra posições do Talibã em Cabul e Kandahar, o governo paquistanês divulgou um balanço oficial dos bombardeios. De acordo com o Exército do país, as ações militares resultaram em um número expressivo de baixas entre os combatentes do grupo fundamentalista que governa o Afeganistão. A informação de que o Paquistão diz que ataques mataram 274 talibãs no Afeganistão eleva a rivalidade a um novo patamar.
O Ataque e os Números da Violência
A ofensiva paquistanesa foi lançada na noite de quinta-feira (26), por volta das 20h (horário local), atingindo as províncias afegãs de Nangarhar, Nuristan, Kunar, Khost, Paktia e Paktika. Segundo o Exército do Paquistão, os bombardeios destruíram 83 postos talibãs e capturaram outros 17. Em relação às baixas, o país afirma que 274 combatentes talibãs foram mortos e mais de 400 ficaram feridos.
Do lado paquistanês, as perdas também foram significativas. O Exército informou que 12 soldados morreram, 27 ficaram feridos e um está desaparecido em combate. O Ministério da Defesa do Afeganistão, no entanto, apresenta uma versão diferente, alegando que 55 soldados paquistaneses foram mortos nos confrontos, e que oito de seus próprios combatentes também faleceram. Crianças refugiadas e civis também foram atingidos pelos bombardeios perto da passagem de Torkham, incluindo uma mulher em estado grave. A guerra tem versões conflitantes, mas a realidade é a de um conflito aberto.
“Guerra Aberta” e o Histórico de Tensão
A retaliação paquistanesa foi rápida e veio acompanhada de uma declaração contundente. O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou: “Nossa paciência chegou ao limite. De agora em diante, é guerra aberta entre nós e vocês”. O governo justificou os ataques afirmando que o Talibã havia “calculado mal e aberto fogo não provocado em vários locais” do lado paquistanês da fronteira, na província de Khyber Pakhtunkhwa.
O conflito tem raízes profundas. O Paquistão acusa o Afeganistão de abrigar e não combater grupos militantes responsáveis por atentados fatais em seu território, uma acusação que o Talibã nega veementemente. Desde outubro de 2025, quando confrontos deixaram mais de 70 mortos, a fronteira terrestre entre os países permanece praticamente fechada. Tentativas de mediação por Catar, Turquia e Arábia Saudita não surtiram efeito. Agora, com a declaração de guerra, a região se prepara para um novo e sangrento capítulo de instabilidade.
Fonte: Metrópoles
Redigido por Acre Atual







