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O que são terras raras, alvo de acordo de cooperação entre Brasil e Índia

Brasil e Índia assinaram memorando para cooperação em minerais críticos. Entenda o que são esses 17 elementos químicos, por que são essenciais para tecnologia e energia limpa e qual o papel do Brasil nesse mercado.
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Terras Raras
O que são as terras raras, elementos fundamentais para fabricação de diversos produtos Imagem: Wikimedia Commons

A assinatura de um memorando de entendimento entre Brasil e Índia para cooperação em minerais críticos colocou os holofotes sobre um tema estratégico para a economia global. Mas afinal, o que são terras raras que tornou o centro das atenções? Estamos falando de um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a fabricação de produtos que vão desde smartphones e carros elétricos até equipamentos militares de ponta e turbinas eólicas.

Os 17 Elementos das Terras Raras

As terras raras são um conjunto de 17 elementos da tabela periódica: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, lutécio, ítrio e escândio. Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente “raros” em termos de ocorrência na crosta terrestre. O termo surgiu porque eles são encontrados, geralmente, dispersos no mesmo tipo de solo e em baixas concentrações, o que torna sua extração e, principalmente, seu processamento um desafio geológico, tecnológico e econômico.

Uma vez extraído o minério, o material passa por um complexo e caro processo químico de “separação” para isolar cada um dos elementos. É essa etapa de processamento que concentra o maior valor agregado e também o maior gargalo tecnológico, atualmente dominado pela China. Compreender o que são terras raras envolve entender essa cadeia produtiva.

Para que Servem as Terras Raras?

A importância estratégica desses elementos fica clara quando se observa suas aplicações. Eles são usados principalmente na fabricação de ímãs permanentes de alta potência, que mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Esses ímãs permitem a produção de peças menores, mais leves e eficientes do que as alternativas tradicionais. Por isso, são essenciais em:

  • Energia limpa e mobilidade elétrica: O neodímio, por exemplo, é fundamental para os motores de veículos elétricos e para os geradores de turbinas eólicas.
  • Tecnologia e eletrônicos: Smartphones, telas de plasma, discos rígidos, dispositivos robóticos e lentes de telescópios dependem de diferentes terras raras.
  • Indústria de defesa: São componentes críticos na fabricação de drones, submarinos, sistemas de orientação e jatos de combate.

O Domínio Chinês e a Busca por Alternativas

Atualmente, a China é a potência dominante nesse setor. O país detém as maiores reservas (cerca de 44 milhões de toneladas, segundo estimativas de 2024) e, mais importante, responde por aproximadamente 70% da produção mundial e cerca de 90% da capacidade de processamento. Essa dependência global acendeu alertas geopolíticos, especialmente após Pequim utilizar o controle de exportações de terras raras como instrumento de pressão comercial.

É nesse cenário que se insere a pergunta sobre o que são terras raras. O Brasil possui a terceira maior reserva do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China e do Vietnã. A Índia também figura entre os países com reservas significativas (cerca de 7 milhões de toneladas). No entanto, ambos carecem de tecnologia e capacidade industrial para processar esses minérios em larga escala.

O Acordo Brasil-Índia e o Interesse Global

O memorando assinado entre Lula e Modi visa justamente preencher essa lacuna, promovendo a cooperação em transferência de tecnologia, pesquisa conjunta e mineração responsável. Se implementado, o acordo pode ajudar a criar uma cadeia de suprimentos alternativa ao monopólio chinês, beneficiando não apenas os dois países, mas também parceiros como os Estados Unidos.

Os EUA, inclusive, já demonstraram interesse concreto nas reservas brasileiras. O governo americano fechou um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a mineradora Serra Verde, em Goiás, e sinalizou a intenção de processar terras raras brasileiras em território nacional ou americano. A parceria entre Brasil e Índia, portanto, é mais um movimento no xadrez global para garantir o suprimento desses elementos que são a base da indústria do futuro.

Fonte: UOL Economia

Redigido por Acre Atual

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