O anúncio realizado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de que pretende taxar as importações de produtos brasileiros em 25% acendeu um sinal de alerta máximo no Itamaraty e no setor produtivo nacional. Divulgada nesta semana (junho de 2026) com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, a proposta de tarifaço é o resultado de uma longa investigação iniciada por ordem direta de Donald Trump que aponta supostas “práticas desleais e irrazoáveis” adotadas pelo Brasil. No entanto, analistas de mercado e diplomatas alertam que o movimento carrega um forte viés protecionista e político que vai muito além das planilhas de comércio.
As Razões de Washington: Do Sucesso do Pix às Big Techs
De acordo com o relatório final de investigação do USTR, as políticas brasileiras “oneram ou restringem” a concorrência e as empresas dos EUA. O documento detalha insatisfações profundas em eixos estratégicos, com destaque para:
- O Sucesso do Pix: O governo americano alega que o Brasil discrimina fornecedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA ao conceder vantagens, limites de tarifas e visibilidade exclusivos à ferramenta líder nacional criada pelo Banco Central.
- Ataques às Big Techs e Redes Sociais: O relatório reúne críticas duras a decisões judiciais brasileiras que determinaram ordens sigilosas de remoção de conteúdo, suspensão de perfis, multas e bloqueio de ativos de plataformas digitais norte-americanas.
- Desmatamento Ilegal e Etanol: Os EUA afirmam que o Brasil falha em aplicar de forma eficaz o seu marco legal ambiental, permitindo a persistência do desmatamento ilegal (o que afeta a competitividade de commodities) e questionam a falta de reciprocidade brasileira no acesso ao mercado de etanol desde 2017.
| Sectores sob Risco de Taxação (25%) | Produtos Poupados (Lista de Exceções) | Cronograma das Negociações (2026) |
|---|---|---|
| Máquinas e equipamentos industriais | Carne bovina, suco de laranja e frutas | 22 de Junho: Limite para inscrição na audiência. |
| Produtos de plástico e calçados | Café, chá, cereais e sementes | 1º de Julho: Envio de comentários escritos. |
| Madeira, papel cartão e ferro fundido | Terras raras, aeronaves e peças | 15 de Julho: Prazo final para aplicação. |
A ameaça de taxação americana atinge a economia nacional em cheio, mas resguarda itens estratégicos para evitar o desabastecimento e a inflação de alimentos nos próprios EUA. Para o Acre, a exclusão do café e das madeiras brutas na lista de 73 páginas traz alívio imediato para os cafeicultores locais, que projetam colher uma safra recorde de 6,9 mil toneladas de café clonal neste ano. Contudo, o frete de bens manufaturados e maquinários industriais que vêm de fora pode encarecer, asfixiando ainda mais uma população que gasta suas energias trabalhando muito — já que o Acre está no topo das maiores cargas horárias de trabalho do país — e que já desembolsa mais de R$ 18 milhões em impostos por dia.
Link de Fonte: Metrópoles







