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Nova linhagem do vírus Oropouche é identificada no Sudeste e preocupa especialistas

Um estudo conduzido por cientistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e publicado na revista Open Forum Infectious Diseases identificou uma nova linhagem do vírus Oropouche circulando no Sudeste do Brasil. A pesquisa, que analisou 55 pacientes infectados no Rio de Janeiro e em Minas Gerais entre 2024 e 2025, revela que o vírus, antes restrito à Amazônia, passou por modificações genéticas e se adaptou à nova região. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça intensa, febre e mal-estar, e em um terço dos casos houve recidiva dos sintomas. A descoberta reforça a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica.
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maruim
Coleção de Ceratopogonidae do IOC/Fiocruz

Um alerta para a saúde pública brasileira: uma nova linhagem do vírus Oropouche foi identificada circulando na região Sudeste do país. A descoberta, publicada na revista científica Open Forum Infectious Diseases e conduzida por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), indica que o vírus, historicamente associado à região amazônica, está se adaptando a novos ambientes e pode se estabelecer de forma duradoura em outras regiões.

A pesquisa

O estudo analisou 55 pacientes com infecção confirmada por Oropouche nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, entre dezembro de 2024 e maio de 2025. A análise genética das amostras revelou que os casos são causados por uma linhagem reassortante do vírus, ou seja, que passou por uma reorganização de partes de seu material genético, o que pode resultar em novas características. “A avaliação da árvore genética mostrou que o vírus passou por modificações e se adaptou à região Sudeste”, afirmou o infectologista Ezequias Batista Martins, da UFF.

Sintomas e diagnóstico

Os pesquisadores também detalharam o quadro clínico apresentado pelos pacientes. Os sintomas mais comuns foram dor de cabeça intensa e mal-estar (em 87% dos casos), além de febre, dor muscular e manchas na pele. Um terço dos infectados apresentou uma segunda fase da doença, com o retorno dos sintomas cerca de uma semana após a melhora inicial, um padrão que pode ajudar a diferenciar o Oropouche de outras arboviroses como dengue, zika e chikungunya. Outro ponto importante do estudo é a persistência do vírus na urina por mais de três semanas, o que pode ampliar a janela para o diagnóstico. A pesquisadora Anielle Pina-Costa, da UFF, explicou que “esse exame prolongado permite confirmar que se trata da mesma infecção e pode ajudar a melhorar o diagnóstico e a vigilância epidemiológica”.

Transmissão e alerta

Diferente da dengue, o Oropouche não é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mas sim por um inseto minúsculo chamado maruim, comum em áreas úmidas e próximas a rios e cachoeiras. A identificação dessa nova linhagem no Sudeste acende um sinal de alerta para a possível expansão do vírus e reforça a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica e capacitar profissionais de saúde para reconhecer e diagnosticar a doença, que pode se tornar um problema de saúde pública em novas regiões do país.

Fonte: Metrópoles

Redigido por Acre Atual

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