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Lula destaca inovação como prioridade do Brasil em parceria com a Coreia do Sul

Em visita a Seul, presidente defende cooperação tecnológica em setores como minerais críticos, aeroespacial, saúde e cultura. Brasil busca agregar valor à sua produção e não ser mero exportador de matérias-primas.
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Lula Coréia
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em visita de Estado à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o compromisso do Brasil em buscar parcerias que vão além do comércio tradicional de commodities. Durante o encerramento de um fórum empresarial que reuniu 230 empresas dos dois países em Seul, Lula foi enfático ao dizer que a inovação e a transferência de tecnologia são o caminho para uma nova fase na relação bilateral. A declaração busca afastar o país do papel de mero exportador de matérias-primas.

Parcerias Estratégicas em Setores-Chave

Em seu discurso, o presidente brasileiro elencou diversas áreas com potencial para cooperação “mutuamente vantajosa”. Um dos pontos centrais foi a exploração de minerais críticos, essenciais para a produção de semicondutores e baterias de veículos elétricos. “A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias. O Brasil possui minerais críticos que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos e é um parceiro confiável em um cenário em que a arbitrariedade está se tornando a regra”, afirmou Lula. Ele deixou claro que o país não aceita ser apenas um fornecedor de recursos brutos. “Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro.”

O discurso em que Lula destacou a inovação como prioridade do Brasil na Coreia também abordou o setor aeroespacial, lembrando as operações da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O presidente defendeu o aprofundamento do diálogo entre as agências espaciais para projetos de exploração lunar e compartilhamento de dados de satélites. Na área da saúde, a expectativa é de fabricação conjunta de vacinas e fármacos, com o Brasil utilizando sua estrutura, como o laboratório de biossegurança Órion, conectado ao acelerador de partículas Sirius, para desenvolver soluções contra doenças e epidemias.

Comércio, Cultura e Lições Coreanas

A corrente de comércio entre os dois países, atualmente em cerca de US$ 11 bilhões, ainda está abaixo do recorde de US$ 15 bilhões de 2011. Lula provocou os empresários ao dizer que “nós já fomos melhores em negócios”, mas sinalizou otimismo com as 280 oportunidades de exportação identificadas pela ApexBrasil, que vão de alimentos a produtos químicos. Durante a visita, Brasil e Coreia firmaram 10 atos de cooperação, incluindo um acordo para fortalecer cadeias de suprimentos resilientes e inovar em minerais estratégicos e indústrias sustentáveis.

Ao afirmar isso, o presidente também olhou para a história como fonte de aprendizado. Ele lembrou que, nos anos 1960, o PIB per capita coreano era menos da metade do brasileiro, e hoje é três vezes maior. “Nos anos 1990, enquanto o Brasil se rendeu ao receituário neoliberal, a Coreia continuou apostando no papel indutor do Estado em setores estratégicos”, comparou, defendendo políticas públicas robustas para o desenvolvimento. Por fim, Lula celebrou as possibilidades de intercâmbio cultural, unindo a biodiversidade brasileira à tecnologia coreana nos cosméticos, e aproximando o K-Pop e o K-Drama do funk e das telenovelas brasileiras, num movimento que já movimenta milhões e gera empregos dos dois lados.

Fonte: Agência Brasil

Redigido por Acre Atual

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