Locomotiva não foi a primeira máquina a circular na ferrovia, mas acabou se tornando uma das peças mais emblemáticas — Foto: Reprodução
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Depois de 90 anos de história, a Locomotiva 18 voltou a percorrer os trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, ainda nesta sexta-feira (2), aniversário de 112 anos da capital rondoniense. Fabricada na Alemanha em 1936, a máquina conhecida como “Barão do Rio Branco” passou por diferentes momentos da história ferroviária de Rondônia e agora retorna ao serviço em passeios turísticos no Complexo da Madeira-Mamoré.
A Locomotiva 18 foi fabricada pela empresa alemã L. Schwartzkopf e originalmente pertenceu à Rede de Viação Paraná-Santa Catarina. Quatorze anos depois de sair da fábrica, em 1950, ela passou a circular na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
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A máquina chegou à ferrovia em um período em que o transporte ferroviário ainda tinha papel importante na integração da região. A Madeira-Mamoré tinha 366 quilômetros de trilhos entre Porto Velho e Guajará-Mirim, conectando comunidades e permitindo o transporte de cargas e passageiros em uma área de difícil acesso.
Locomotiva 18 foi fabricada pela empresa alemã L. Schwartzkopf — Foto: Reprodução
Uma máquina feita para a ferrovia
A Locomotiva 18 tem 15,20 metros de comprimento, bitola de um metro e configuração de rodas 2-8-2. Seu projeto foi desenvolvido para operar em linhas ferroviárias com características diferentes das encontradas nas grandes ferrovias brasileiras.
Na Madeira-Mamoré, a locomotiva participou do transporte de cargas, incluindo produtos ligados à economia regional, como o látex, além de transportar passageiros.
O nome “Barão do Rio Branco” foi dado em homenagem ao diplomata brasileiro José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco. Ele teve participação nas negociações que culminaram no Tratado de Petrópolis, relacionado à definição das fronteiras entre Brasil e Bolívia e à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
A locomotiva não foi a primeira máquina a circular na ferrovia, mas acabou se tornando uma das peças mais emblemáticas do acervo da Madeira-Mamoré.
Da carga ao passeio turístico
Nome “Barão do Rio Branco” foi dado em homenagem ao diplomata brasileiro José Maria da Silva Paranhos Júnior — Foto: Reprodução
Com o passar dos anos, a Locomotiva 18 também passou a fazer parte da história turística de Porto Velho.
Nas décadas de 1980 e 1990, a máquina foi utilizada em passeios entre o Complexo da Madeira-Mamoré e a comunidade de Santo Antônio. A atividade ajudou a transformar a locomotiva em uma das principais referências da memória ferroviária da capital.
A própria Estrada de Ferro Madeira-Mamoré surgiu em um contexto marcado por grandes desafios. A ferrovia foi construída para superar os trechos do rio Madeira onde cachoeiras e pedrais impediam a navegação contínua.
A obra, iniciada no início do século XX, ficou conhecida como “Ferrovia do Diabo” pelas dificuldades enfrentadas durante sua construção, incluindo doenças tropicais, condições precárias de trabalho e um elevado número de mortes.
A locomotiva que hoje volta aos trilhos passou a fazer parte dessa história décadas depois da construção da ferrovia, mas ajudou a manter a operação do sistema até seus últimos períodos de funcionamento.
Locomotiva ficou fora de circulação
Quatorze anos depois de sair da fábrica, em 1950, locomotiva passou a circular na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Com o passar dos anos, a Locomotiva 18 deixou de circular e permaneceu preservada no Complexo da Madeira-Mamoré.
A máquina passou a ser vista principalmente como patrimônio histórico, mantendo sua estrutura como registro de uma época em que o transporte ferroviário era fundamental para a ligação entre Porto Velho e o interior de Rondônia.
O objetivo de recuperar a locomotiva surgiu justamente da necessidade de transformar novamente essa peça histórica em uma experiência acessível ao público.
Para isso, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) realizou avaliações técnicas na máquina e elaborou levantamentos sobre as condições necessárias para sua reativação.
O processo também envolveu os órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio histórico, incluindo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A Locomotiva 18 volta aos trilhos
Após o processo de recuperação, a Locomotiva 18 voltou a operar no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, retomando os passeios turísticos.
O retorno permite que a máquina deixe novamente o papel de peça estática do acervo e volte a cumprir uma das funções para as quais foi construída: percorrer os trilhos puxando vagões.
A retomada também recupera uma atividade que já fez parte do turismo de Porto Velho em décadas passadas.
O passeio atual ocorre no próprio complexo ferroviário e coloca novamente em funcionamento uma locomotiva fabricada há quase nove décadas.
Além da máquina, a experiência permite conhecer parte da estrutura remanescente da Madeira-Mamoré, ferrovia diretamente ligada à formação histórica de Porto Velho.
Com informações da ContilNet







