A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar de Brasília ao Rio de Janeiro em outubro do ano passado. O objetivo da viagem, que também contou com a presença de duas ministras de Estado e ao menos seis assessores, foi visitar o barracão da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que naquele momento preparava um enredo em homenagem ao presidente Lula (PT). O caso levanta questionamentos sobre o uso de voo da FAB com assessores para um compromisso de cunho pessoal e político.
A Comitiva e o Deslocamento Oficial
A viagem ocorreu no dia 6 de outubro de 2025. Na aeronave da FAB, além de Janja, estavam as ministras Anielle Franco (Igualdade Racial) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), esta última acompanhada de três assessores. Da equipe direta da primeira-dama, viajaram a assessora de imprensa Taynara Pretto, o fotógrafo Cláudio Adão dos Santos, o ajudante de ordens Edson Antônio Moura Pinto e as assessoras Julia Camilo Fernandes Silva e Carla Costa Alves. Todos eles são lotados no Gabinete Pessoal da Presidência e receberam diárias pela viagem. A assessora Francine Ferraz Gunther, do cerimonial, foi a única a utilizar um voo comercial.
O uso de Janja ocorreu no mesmo dia em que ela e a ministra Luciana Santos participaram de um evento oficial: o lançamento da Conferência da Década dos Oceanos de 2027, organizado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia no Rio. No entanto, parte do deslocamento foi destinada à visita ao barracão da escola de samba, um compromisso de natureza não oficial.
A Visita ao Barracão e a Homenagem a Lula
Nas imagens divulgadas nas redes sociais, Janja aparece conhecendo as dependências da Acadêmicos de Niterói, conversando com costureiras e dirigentes da agremiação. O enredo da escola para o Carnaval de 2026 tinha um título sugestivo: “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Durante a visita, a primeira-dama brincou sobre o entusiasmo do marido: “Meu marido (Lula) está apaixonado pelo samba. Aí, todo mundo que chega em casa, ele diz: ‘Bota o samba para a pessoa ouvir, bota o samba’.”
A relação entre a escola e o governo, no entanto, não se limitou à visita. Como revelou a imprensa, a Acadêmicos de Niterói recebeu pelo menos R$ 9,6 milhões em recursos públicos para seu desfile. O presidente da agremiação, Wallace Palhares, esteve no Palácio do Planalto por pelo menos duas vezes em outubro, o que acendeu debates sobre a destinação de verbas públicas em um contexto de apoio político a uma agremiação carnavalesca.
O Resultado no Carnaval e o Esclarecimento
Apesar do apoio e da homenagem, o resultado para a escola não foi positivo. A Acadêmicos de Niterói obteve apenas 264,6 pontos, a menor nota entre as escolas do Grupo Especial do Carnaval carioca, o que resultou em seu rebaixamento para a Série Ouro. Janja, que havia cogitado desfilar pela agremiação, desistiu da ideia de última hora.
Procurada pela reportagem por meio da Secretaria de Comunicação (Secom) e de sua assessoria pessoal, a primeira-dama não se manifestou sobre o caso. A polêmica envolvendo Janja reacende o debate sobre os limites entre o uso de estruturas públicas, o deslocamento de comitivas governamentais e a participação de agentes políticos em eventos de natureza particular ou partidária, especialmente quando envolvem recursos públicos e homenagens a figuras do Executivo.
Fonte: Metrópoles
Redigido por Acre Atual







