A guerra pela exploração ilegal de madeira na Amazônia atingiu um novo patamar de violência. Uma equipe de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi brutalmente atacada por criminosos neste sábado (15), durante uma operação de combate à extração ilegal na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, no município de Manicoré, sul do Amazonas.
A emboscada
Os cinco servidores do Ibama realizavam uma inspeção em ramais clandestinos quando foram surpreendidos por uma emboscada organizada. Segundo o órgão ambiental, cerca de 30 criminosos armados cercaram os fiscais, iniciaram agressões físicas e efetuaram disparos de arma de fogo. Diante da situação de extremo risco, os agentes precisaram recuar e se abrigar na mata densa da região para garantir a própria sobrevivência. Apesar da violência da ação, nenhum servidor ficou gravemente ferido. O veículo oficial utilizado pela equipe, por sua vez, foi completamente incendiado pelos agressores.
Investigação e histórico
A ocorrência foi registrada e comunicada à Polícia Federal (PF), que deverá investigar o caso. Parte dos envolvidos no ataque já foi identificada pelas autoridades. Em nota, o Ibama condenou o episódio e afirmou que “ataques a agentes públicos no exercício de suas funções são inaceitáveis e serão rigorosamente apurados”. O órgão destacou ainda que, nesta mesma semana, cinco pessoas foram condenadas pela Justiça pela destruição de uma aeronave do instituto em Manaus, em 2021, sinalizando que atos de violência contra a fiscalização ambiental não ficarão impunes.
Rota da ilegalidade
Informações obtidas pelos fiscais durante a operação indicam que parte da madeira retirada ilegalmente da Terra Indígena Tenharim-Marmelos está sendo transportada e comercializada na região da Vila Santo Antônio do Matupi, na rodovia Transamazônica. O caso expõe uma realidade alarmante: estimativas apontam que mais de 60% da exploração de madeira no Amazonas apresenta irregularidades, e a madeira ilegal de áreas protegidas é frequentemente “esquentada” por meio de planos de manejo fraudulentos. A investigação segue em andamento.
Fonte: Metrópoles
Redigido por Acre Atual







